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terça-feira, junho 16, 2009

Mais um daqueles pensamentos fulminantes que se apropriam de nós - Quem nunca desejou ser tudo o que nasceu para ser?

Porque nunca é demais pensar e reflectir (e para não se dizer que este blog perdeu a sua vocação original de espaço de pensamento) fica mais uma daquelas notas repentinas. A nobreza do desejar tudo, e querer ser tudo o que se nasceu para ser...


Não há nada mais nobre do que desejar tudo! Tudo sonhar, tudo ansiar, com a vontade profunda, calma e silenciosa daquele que sabe desejar verdadeiramente, e cujos objectos de desejo mais não são do que calmas e geométricas formas puras, sonhos e metas legítimas e gloriosas. Porque querer tudo não é o mesmo que querer todas as coisas, nem é o mesmo que querer só por querer, ou para ter, ou para parecer que se tem, ou para se preencherem vazios existenciais com o lixo nauseabundo que define a pobreza de espírito. Quem quer verdadeiramente não deseja mais do que o cumprimento da sua própria grandeza, no início só potência mas que anseia por ser acto, ou no início só essência que anseia por existir. Atingir os limites de si mesmo, contemplar-se do alto, subir ao céu que se é, e amiúde se ignora. É-se o Universo, é-se força infinita, é-se poder verdadeiro, tudo comprimido e condensado numa amálgama pensante de carne e dúvida. Nasce-se acreditando que se é pequeno, que se é frágil e impotente, e enforma-se a própria vida de acordo com o que se pensa, e sobretudo com o que se aprendeu a pensar. Pode ser-se tudo, pode sonhar-se alto, muito alto, com a glória dos deuses que não se fecha ao homens, pois que é o homem feito às suas imagens. Pode fazer-se, construir-se na pedra com alicerces graníticos, fundar-se na rocha o edifício do que se é, e terminar apenas quando este arranhar o céu para onde aponta, fálico e viril, pronto para penetrar no Infinito e gerar mundos novos, civilizações, morais, mistérios profundos, humanidades. Não é só o querer que é poder, mas também o saber, o pensar, e sobretudo o sonhar audaciosamente. O homem só se religa à divindade para nele mesmo reconhecer a divindade que em si habita. É essa a religião verdadeira, aquela que move montanhas e conduz o homem há libertação de todas as correntes que o aprisionam desde o início dos tempos. O homem só se reconhece naquilo que é, quando se deixa penetrar pela profundidade do mistério que largamente o ultrapassa, milhares de milhões de vezes o ultrapassa, mas que em última análise lhe está no sangue e se chama Alma.

3 comentários:

Anónimo disse...

Apropriam?!?

Ruben D. disse...

Obrigado pela chamada de atenção. Só reparei agora no erro. Está corrigido

uma rapariga do norte disse...

neste dia de anos que possas ser tudo quanto desejas e ainda mais para que nunca deixes de te surpreender. beijinhos, Inês Gomes (colega de curso da FLUP)