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segunda-feira, junho 13, 2005

Reflexão inaugural

Pura e simplesmente escrever, eis o meu desejo. Tudo flui nesta vida, nestas horas que passam sem dar noticia de nada, neste tédio abrupto em que me encontro e que se me afigura eterno. Penso momentaneamente em qualquer coisa realmente produtiva e que no seu gérmen possua o espírito da eternidade. Tenho de estudar – é verdade! Leio um pouco sobre Antero, o realismo e o positivismo. Eis a Revolução a meus olhos, as grandes ideias, os grandes timoneiros das revolução que, pacientes e convictos nos puxam do lodo da nossa própria mediocridade... E morro de olhos fechados enquanto ouço Chopin.
Talvez a Humanidade nunca se tenha realmente apercebido do essencial. A mudança e a revolução são sonhos demasiado altos e abstractos. O que interessa de facto é viver...mas para quê? Leio Agostinho. Ele acredita fervorosamente no V império. E porquê? De que vale viver se não acreditarmos que o futuro nos trará as soluções para os problemas da sociedade de hoje? Então fico confuso. Viver é criar, e não me basta vegetar no amor e na paixão desenfreada. Há um projecto. Todos somos parte dele. Fomos criados para criar, eis o nosso futuro e objectivo de toda a existência! Aos outros seres vivos ( não lhes chamo animais porque estaria a considerar-me fora desta categoria o que é um puro acto de arrogância, portanto de estupidez), estão determinados pela existência a serem como são. A evolução trouxe-os até um determinado patamar, e hei-los felizes. Nós seres humanos somos os mais infelizes animais do Universo. A necessidade que temos de nos agarrar seja a que metafísica for, a procura constante da moralidade, a consciência lúcida da nosso carácter inacabado deixa-nos pouco tempo para viver. Mas porque nos trouxe a evolução até este patamar privilegiado (ou não)? Paro um pouco e sinto falta de uma cigarrilha. Já fumei uma hoje e não pretendo abrir precedentes e fumar outra. Tantas vezes esbarrei contra a vastidão imensa das grandes questões, e sempre que isso acontece sinto uma náusea mental imensa. Peço à minha irmã para pôr Chopin de novo. Preciso da sua melodia para lucidamente ir puxando a meada que já vislumbro, mas que raras vezes tenho coragem para puxar até ao fim, o que na prática é impossível...
Onde é que eu ia?
Na Natureza e nesta intrincada máquina a que chamamos mundo, nada acontece por acaso. Não sou Deus, e deveria talvez abster-me de afirmar tal coisa mas sinto que, no mais profundo de mim mesmo, àquela profundidade onde me confundo com Absoluto e me dissolvo no Uno, o Ser caminha subtilmente e constante por veredas determinadas. É a intuição de alguém que é feito da massa do Universo, como o filho que subtilmente se apercebe dos pensamentos da mãe por do seu ventre ter derivado.
Somos Natureza. Não podemos negá-lo. Talvez quisesse o Universo tomar consciência de si mesmo através dos nossos olhos. Usar os nossos sentidos e capacidades para se compreender, se moralizar, se perspectivar, se experimentar... Porque não nos foi dada a verdade de mãos beijadas? Porque não nos foi dado o caminho, apesar de sermos máquinas tão perfeitas e complexas? Terão as placas de Moisés a resposta? Serão os preceitos de tantos profetas a verdade e o caminho? Talvez até tudo já nos tenha sido oferecido de mãos beijadas, ou talvez o tenhamos pago com todo o sangue derramado pelos séculos dos séculos. Se já nos foi dada porque continuamos a questionar? Talvez a sociedade e a moral sejam isso mesmo – simples motores de aceitação passiva da verdade, para que o acto de questionar se dissolva progressivamente e o Universo em nós se compreenda... mas para quê? Não me parece que o Universo pretenda compreender-se definitivamente com simples convenções tantas vezes humanas e mal interpretadas. Não está nos seus objectivos supremos Não matar, Não mentir, Não cometer adultério, Não adorar outros deuses, etc. Não nego que são convenções importantes, são porém um caminho dado para alguma coisa mais que não compreendemos. Quererá o Universo contemplar-se pura e simplesmente como um Narciso que passa horas a olhar-se reflectido no lago? Temos sempre de resistir à tentação de antropomorfizar a realidade: eis o maior dos pecados! Não me parece que o Absoluto seja qualquer coisa de semelhante a vaidoso...
Tantas questões e tão poucas respostas. Afinal se todas as respostas fossem desveladas o que seriamos nós e a nossa natureza inquisidora?

2 comentários:

Teseus disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Teseus disse...

Olá Ruben... Vou ficar de olho no teu Blog...

If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it. The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists, whereas the rest of my advice has no basis or reliable then my own meandering experience. I will dispense this advice...

Enjoy the power and beauty of your youth. Oh, nevermind, you won't understand the power and beauty of your youth until they've faded, but trust me in 20 years, you'll look back at photos of yourself and recall in a way you can't grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked. You are not as fat as you imagine.

Don't worry about the future, or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum.

The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind: the kind that blindsides you at 4pm on some idle Tuesday.

Do one thing every day that scares you.

Sing.

Don't be reckless with other people's hearts; don't put up with people who are reckless with yours.

Floss.

Don't waste your time on jealousy. Sometimes you're ahead, sometimes you're behind. The race is long, and in the end, it's only with yourself.

Remember compliments you receive; forget the insults. (if you succeed in doing this, tell me how).

Keep your old love letters; throw away your old bank statements.

Stretch.

Don't feel guilty if you don't know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives; some of the most interesting 40 year olds I know still don't.

Get plenty of Calcium. Be kind to your knees -- you'll miss them when they're gone.

Maybe you'll marry, maybe you won't. Maybe you'll have children, maybe you won't. Maybe you'll divorce at 40; maybe you'll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary.
Whatever you do, don't congratulate yourself too much or berate yourself, either. Your choices are half chance, so are everybody else's.

Enjoy your body: use it every way you can. Don't be afraid of it or what other people think of it; it's the greatest instrument you'll ever own.

Dance...even if you have no where to do it but in your own living room.

Read the directions (even if you don't follow them).
Do not read beauty magazines; they will only make you feel ugly.

Get to know your parents; you never know when they'll be gone for good.

Be nice to your siblings: they're your best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.

Understand that friends come and go, but what a precious few should hold on. Work hard to bridge the gaps and geography and lifestyle, because the older you get, the more you need the people you knew when you were young.

Live in New York City once, but leave before it makes you hard.
Live in Northern California once, but leave before it makes you soft.

Travel.

Accept certain inalienable truths: prices will rise, politicians will philander, you too will get old; and when you do, you'll fantasize that when you were young, prices were reasonable, politicians were noble, and children respected their elders.

Respect your elders.
Don't expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund, maybe you'll have a wealthy spouse, but you never know when either one might run out.

Don't mess too much with your hair or by the time you are 40, it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia; dispensing it is a way of wishing the past from the disposal--wiping it off, painting over the ugly parts, and recycling it for more than it's worth.

But trust me on the sunscreen...

Baz Luhrman, "Everybody is free to wear sunscreen"