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quinta-feira, setembro 04, 2008

!! de Setembro - Uma exclamação para o futuro



Estamos em vias de comemorar o sétimo aniversário do atentado às Torres Gémeas, em Nova Iorque no coração dos EUA. Entenda-se que comemorar, neste caso particular, possui o verdadeiro sentido etimológico de «co-memorar», ou seja, lembrar em conjunto. Pois factos desta envergadura só podem ser lembrados em conjunto porque afectam o conjunto, e não apenas uma parte da humanidade. São factos verdadeiramente históricos, que só poderão ser compreendidos na totalidade quando a poeira da especulação, da controvérsia e dos interesses de uma época tiver finalmente assentado. Para muitos, o dia 11 de Setembro de 2001 mudou o mundo. Ora, mudou de facto alguma coisa. Mudou o modo como entendemos as relações entre as nações, fez o mundo ocidental sentir-se mais frágil e vulnerável. O facto do atentado ter sido perpetrado em pleno solo americano, não foi por acaso, nem poderia deixar de ser sentido como uma tragédia de todos. Que ninguém esperasse ver os EUA adormecidos, embevecidos no seu american dream. Era inevitável uma reacção, que tem muito de revanchista de homem com o orgulho ferido. Em plena Segunda Guerra, sofreram um Pearl Harbor, e a reacção não foi muito diferente. Foi dura, incisiva, destrutiva, expurgada de qualquer dúvida. A vingança engendrada a partir do dia 12 de Setembro de 2001 teve ainda muito deste poder. E continua a ter. Uns EUA ligeiramente esquecidos retomaram o seu lugar de «polícia do mundo». Arrogaram-se imediatamente no «direito moral» de destruir o terrorismo onde quer que se encontrasse, ainda que a ONU se opusesse com todas as suas armas legais. Lançaram em 2002 uma guerra contra o Afeganistão e, em 2003, o Iraque viu-se invadido e posto a ferro e fogo. Rapidamente os americanos se estribaram nesse seu recém-reforçado poder moral para encontrarem aliados nesta «guerra contra o terror», e ninguém esqueceu ainda as palavras de Bush: «Quem não estiver connosco, está contra nós.»

A partir de 2001 o mundo redesenhou-se numa geopolítica diferente. Em vez de blocos clássicos como «bloco capitalista» ou «bloco comunista (geopolítica da Guerra Fria), surgiram os países do Eixo do Bem, e os do Eixo do Mal. De um lado, uma espécie de cruzados contra o terror; do outro, os seus apoiantes. Churchill se fosse vivo diria que uma espécie de prisão de ferro se abateu sobre o Oriente, da Síria à Coreia do Norte. E não fugiria muito da verdade. Depois de 2001 antigos ódios emergiram, antigas divisões latentes na consciência de todos tomaram forma. A imediata e irresponsável colagem do terrorismo aos muçulmanos só poderia ter como consequência um novo cisma Cristãos/Muçulmanos, e a perigosa ideia da cruzada contra o mal e a tirania. Mas talvez a mais perigosa herança do 11 de Setembro seja a perigosíssima noção de que os meios justificam os fins, e que a segurança justifica repressão, invasão da privacidade, e um retorno aos campos de concentração onde a injustiça, a arbitrariedade e o secretismo substituem os Direitos Humanos e o Direito Internacional. Guantanamo é só comparável à ferida da escravatura na história americana. Ao mesmo tempo, as decisões unilaterais dos EUA contribuíram de forma sem precedentes para a descredibilização da única instituição mundial que pode trazer a paz – a ONU.

O 11 de Setembro fragilizou o mundo e a democracia. A resposta dada não foi nem a mais correcta, nem a mais proporcional. Na verdade, só a luta contra a ignorância e o fanatismo pode resolver de forma duradoura esse cancro do terrorismo. E ignorância e fanatismo existem em todos os países do mundo. Sete anos depois o Afeganistão e a luta contra os Talibã continua longe de terminar, e os soldados da coligação mortos são um preço demasiado alto a pagar pela precipitação. No Iraque a guerra civil é clara, e torna-se cada vez mais óbvio para todos que nunca o país do Eufrates será de novo uma nação unida. E o terrorismo continua a fazer vitimas, novos ódios vão renascendo, e o Irão parece ser agora a maior ameaça ao Ocidente. Matar árabes legitima todo aquele que disser que morre para os defender. É este o maior erro do Ocidente, dar razão a quem não tem razão mas sabe aproveitar-se do mal que está feito. Até a Rússia de hoje começa a levantar algum cabelo contra a pretensão americana de dominar e se expandir até às suas fronteiras sob a máscara da NATO. Será isto positivo? Estou certo de que o 11 de Setembro contribuiu para isto.

Morreram milhares de pessoas inocentes. O mundo chorou, o mundo comoveu-se e acordou. As duas torres são como dois pontos de exclamação que pontuam o passado e se admiram perante o futuro. Vale a pena pensar nisto.

3 comentários:

Lurdes Ferreira disse...

Obg pelo mail

Li, reflecti, aprendi, e...gostei

antonio disse...

Amigo Rubem andei a estudar em London ontem comentei sob Tony Blair onde o conheci pessoalmente chamo-me Rui Porto os meus Parabens pelo seu Blogger um abraco (Rui)

Cinderela disse...

Bravo amigo!