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quarta-feira, maio 07, 2008

2009 - PS, PSD, BE, PCP e o terramoto anunciado



8 pessoas tiveram a amabilidade de votar no inquérito sobre a governação que introduzi no blog. Quero acreditar que houve uma substancial abstenção, por um lado porque existe um crescente desinteresse pela política, por outro porque mesmo no espectro de quem se interessa existe quem tenha uma visão muito pessimista do nosso panorama político e dos seus principais protagonistas.

De qualquer forma nesta pequeníssima e nada representativa amostra, foi o PSD que obteve mais votos. Não sei que PSD estava presente na mente de quem votou, se o de Menezes, se o da futura líder Manuela Ferreira Leite (espero estar enganado).

Em 2009 vamos ter um triste cenário. Triste para os protagonistas, triste para o país. O PS vai ganhar, porém com curta margem em relação ao PSD que vai roubar muitos votos ao PS, não porque as pessoas o vejam como alternativa possível, mas porque acreditam na história do mal menor. Só que todos sabemos que na presença de uma oposição de largo espectro e irresponsável, um partido sem maioria absoluta está condenado a abortar de cada vez que queira parir seja o que for. Fica paralisado. O PCP e o BE, em fase de crescimento nas sondagens, vão sentir-se com força para se porém em bicos de pés e forçar uma coligação com Sócrates. Sócrates no seu orgulho vai ruminar, vai torcer-se todo e quem sabe, engolidos os sapos necessários, lá vai aceitar um acordo com o BE. O BE, desesperado para chegar ao poder lá vai aceitar as condições do PS e agarrar um ministério qualquer que caia da mesa. O PS vai saber negociar muito bem a coisa. O BE vai se ver apertado para negociar porque do outro lado da porta, na sala de espera está o PCP que estará pronto a entrar se o BE não se mostrar disponível ou não quiser negociar. Os primeiros tempos de formação de governo vão ser muito difíceis e caóticos. Inevitavelmente o PS terá que governar mais à «esquerda», mesmo que isso signifique a ruína financeira e política do nosso país.
Era ainda assim preferível que o PS fizesse uma coligação por exemplo, com o PSD. De certeza lhe seria dada mais margem de manobra, mas não me parece que o orgulho de ambas as forças políticas permita tal cedência e mistura que nas mentes de algumas mentes tacanhas é tão condenável como o incesto.
Se vamos pela história do mal menor, então é bem mais preferível que o PS se mantenha no poder, e com maioria. O país não precisa de mais instabilidade, e sempre temos um PR que nos bastidores, vai mantendo o leme seguro para não permitir derivas. É nisto que as pessoas têm de acreditar. Entretanto, surgem outros partidos, outros movimentos de cidadãos que prometem ser o futuro do panorama político nacional. São estes que devagar vão ter que fazer o seu caminho e ganhar a confiança daqueles que acreditam no futuro, na modernidade, no desenvolvimento pleno, social, cultural, diria até espiritual da sociedade. A nova consciência política tem de pôr de parte esse anacronismo que é a oposição esquerda/direita, tem de deitar por terra a ideia de classes, de lutas e conflitos entre planos de sociedade. Hoje o que se pede é sobretudo o apelo à responsabilidade individual e colectiva. É o apelo à colaboração entre as pessoas na sociedade, nas empresas, na vida. Colaboração, não conflito. Solidariedade não significa assistencialismo, mas espírito de entreajuda entre os vários componentes da nossa sociedade. Porque hoje não existe nenhuma oposição ou contradição marxista entre classes. Hoje existe uma sociedade global que deve em conjunto contribuir para a mudança que se espera, e só a formação e a cultura podem dar os instrumentos necessários para que esta nova consciência tome forma.

1 comentário:

Heraldo disse...

Somos "Zandingas", agora?