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terça-feira, abril 20, 2010

Homem versus Natureza - dois mundos a duas velocidades


A erupção do vulcão islandês e consequente paralisação do tráfego aéreo nestes últimos dias, teve o condão de nos despertar para uma importante realidade: a fragilidade dos fundamentos da nossa economia e, em última análise, dos pilares da nossa civilização. Uma simples erupção – num vulcão considerado “pequeno” pela comunidade científica – foi capaz de pôr a Europa de joelhos durante quatro dias, provocando avultados prejuízos às companhias aéreas, e inesperados atrasos e adiamentos no movimento de pessoas, bens e serviços.

Dá que pensar. Os fenómenos da natureza fluem a uma velocidade diferente da dos fenómenos eminentemente humanos. Se para uma sociedade humana quatro dias de paralisação nos transportes conduzem a um caos sem precedentes, para a natureza quatro dias são apenas o aperitivo para um muito maior e mais prolongado período de mudanças geológicas que se manifestam através de sismos e de actividade vulcânica. Um vulcão como o Eyjafjallajökull pode manter-se activo durante dois anos, sem qualquer contemplação ou compaixão pela realidade humana para quem quatro dias são já prenúncio de apocalipse. A natureza não tem quaisquer contemplações em relação à humanidade, e não hesitará um segundo em destruir tudo aquilo que os homens constroém durante anos e dão como garantido.

Existem diversos vulcões por todo o mundo, alguns muito conhecidos e de má memória para muitos povos que tiveram a infelicidade de construir a suas vidas nas imediações das suas caldeiras. O Vesúvio,que na década de 70 d.C. arrasou a cidade de Pompeia, ou o Etna na Sicília; o Krakatoa perto de Sumatra que, em 27 de Agosto de 1983, despertou numa explosão apenas equivalente a uma potente bomba H, provocando a destruição da ilha de Krakatau e um maremoto gigantesco que matou quarenta mil pessoas ao rebentar nas costas de Java e Sumatra. Existem neste momento, em todo o mundo, 450 vulcões activos, uns de carácter efusivo como os conhecidos vulcões do Havai, e outros de carácter explosivo/catastrófico como o já referido Vesúvio, ou mesmo o do vulcão de nome impronunciável que continua a expelir nuvens piroclásticas ao fim de seis dias de actividade na Islândia. Para quem já ouviu falar na eminente e poderosa Civilização Minóica, cuja capital Cnossos se situava na Ilha de Creta, e que se desenvolveu entre 2700 a.C. e 1450 a.C, não será novidade o facto de esta civilização ter sido destruida praticamente de um dia para o outro por uma erupção titânica na ilha vizinha de Santorini que, de acordo com os cientistas, terá provocado maremotos gigantescos que em pouco tempo engoliram a ilha arrasando-a por completo. Há quem diga, inclusive, que a lendária catástrofe da ilha de Creta terá servido de inspiração a Platão para "inventar" o mito da Atlântida.

O que importa registar é que num mundo cada vez mais global e interdependente, existe cada vez mais uma real possibilidade de um fenómeno natural catastrófico imprevisível poder lançar o caos. Por exemplo, os sistemas de comunicações estão dependentes de sistemas electrónicos. Os telemóveis são, nos dias que correm, praticamente indispensáveis. Pois, o que aconteceria se, subitamente, ficassemos impossibilitados de os utilizar? E se uma tempestade solar, por exemplo, fosse capaz de inutilizar os circuitos electrónicos dos satélites ou mesmo das centrais eléctricas comuns - como aliás já aconteceu por diversas vezes nos EUA e no Japão -? Como reagiriam as populações a apagões que durassem, não dias, mas meses a fio? Como poderiam os aviões navegar às cegas sem os modernos sistemas de navegação global?

1 comentário:

Azoth disse...

Um bem haja.

O filme The Road poderá dar um exemplo de uma resposta.

Abraços Fraternos