
Este breve texto será publicado na página do leitor do jn amanhã, ou no domingo
Pretendo com este texto responder a um senhor que escreveu nesta página uma breve exposição acerca de Richard Dawkins e do seu livro sobre Deus. É verdade que Dawkins culpabiliza Deus por todos os males do mundo. É um inglês profundamente materialista que não diviniza Deus mas dá-lhe outro nome – Ciência. Mas entendo que quando lemos seja o que for, não nos devemos deixar persuadir pela autoridade do autor nem aceitar o que é dito sem nós próprios o digerirmos e o tornarmos nosso. Como tal não concordo que o ateísmo tenha superioridade moral em relação ao crentismo. Não tem de todo, e a prova é que nos países comunistas de carácter ateu, o ateísmo fez imensos estragos. Na Rússia ninguém destruiu Meca, mas só não o fizeram porque não puderam. De resto tudo o que eram templos, igrejas, santuários foi reduzido a escombros. Em nome de quê? Do Ateísmo caros leitores. O que o Sr. Dawkins na sua inteligência de cientista parece não ter percebido, é que não é a religião o mal de todas as coisas, mas o fanatismo. Qualquer fanatismo é perigoso e destruidor, seja ele religioso ou ateu. É verdade que foram cometidas atrocidades em nome de Deus, e continuam a acontecer. Mas também foram cometidas atrocidades em nome do Ateísmo, por ventura mais sanguinárias. A religião pode trazer a paz, se for entendida na sua essência como apelo à Unidade verdadeira de todas as coisas. A ortodoxia, e tudo o que a rigidez dos rituais e das más interpretações humanas trazem é que conduz ao fanatismo. Os comunistas diziam que a religião é um cancro, uma doença que impede o homem de progredir. Veja-se o que fizeram ao Tibete os nossos amigos chineses, reduzindo a pó os templos budistas, estropiando e matando a sangue frio os pobres monges. A que Deus remetiam os nosso chineses estas chacinas, em nome de quem? Seria este deus o próprio Mao Tse Tung? Pois é, porque quando se expropria o homem de Deus outros deuses nascem por força das circunstâncias. Nascem os «bezerros de ouro». Diga-se o que se disser, o homem precisa da transcendência, chame-se-lhe Deus, Tao, Brahma.. Mas como não tenho a autoridade do Sr. Dawkins, não serei ouvido nem entendido.