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terça-feira, maio 26, 2009

Que vão afinal fazer os eleitos para o PE? Que poderes? - FAQ´S



O PE pode decidir sobre todas as matérias ?
As decisões aprovadas pelo PE carecem de aprovação por outro organismo ?
O PE ausculta outros órgãos antes de tomar decisões ?
O PE intervém na PESC (Política Externa e de Segurança Comum) ?
E o PE participa na UEM (União Económica e Monetária)?
E o PE participa também nas áreas do terceiro pilar (Justiça e Assuntos Internos) ?
O PE tem muitos poderes ?


Legitimado pelo sufrágio universal directo, o Parlamento Europeu, eleito de cinco em cinco anos, foi obtendo, através da reforma dos Tratados, uma maior influência e poderes cada vez mais alargados. Esses Tratados, nomeadamente os de Maastricht de 1992 e de Amesterdão de 1997, transformaram o Parlamento Europeu, de uma assembleia meramente consultiva numa assembleia legislativa com poderes comparáveis aos dos parlamentos nacionais, mas à escala europeia.

Como todos os parlamentos, o Parlamento Europeu exerce três poderes fundamentais:

o poder legislativo: Participa por diversas formas no processo comunitário de decisão em conjunto com o Conselho, nomeadamente no processo de "co-decisão"

o poder de controlo de executivo: quer ao nível da constituição e da destituição. A Comissão é politicamente responsável perante o Parlamento que pode, mediante a aprovação de uma moção de censura, forçá-la a demitir-se. Dispõe ainda de um controlo democrático sobre o conjunto da actividade comunitária, estendendo-se às restantes instituições.

o poder orçamental:(que foi a primeira competência atribuída ao Parlamento Europeu) quer na elaboração do Orçamento, quer no controlo da sua execução;

O poder legislativo:

O processo legislativo comunitário é singular: A iniciativa legislativa pertence, em exclusivo à Comissão e o processo de decisão final incumbe ao Conselho. O PE participa no processo legislativo, de acordo com a Base Jurídica de cada decisão através dos seguintes processos:

a) consulta - a Comissão apresenta a proposta e envia-a para o Parlamento e para o Conselho. Este, para decidir tem de obter o parecer do Parlamento, que não sendo vinculativo, constitui uma formalidade essencial para o processo.

b) parecer favorável - a Comissão envia a proposta para o Parlamento e para o Conselho, este só pode decidir, se houver um parecer de concordância por parte do Parlamento. Se não houver , o Conselho tem de decidir por unanimidade para poder aprová-la.

c) co-decisão - a Comissão envia a proposta para o Parlamento e para o Conselho. O Parlamento faz a 1ª leitura , se concorda, envia para o Conselho e este pode aprová-lo , senão envia-a para o Conselho, para que analise a posição do Parlamento. Faz os seus comentários e devolve-a ao Parlamento para proceder à 2ª leitura. O Parlamento continuando a discordar, envia-a para o Conselho. Este discorda e cria-se novamente o Comité de Conciliação. Se este não consegue chegar a acordo, abandona-se o acto, se consegue um acordo envia-a para o Conselho para aprovação.

Para saber mais clique aqui

Retirado do site do deputado europeu Carlos Coelho do PSD

Para votar na sondagem do lado esquerdo é só escolher um candidato e clicar onde diz Votar

Vá lá, faltam só seis dias!

Obrigado

sábado, maio 23, 2009

Dia 7 de Junho quem quer ir para Bruxelas?



Aproxima-se a passos largos o dia das eleições europeias, o dia em que serão eleitos os nosso representantes no parlamento europeu. Para muita gente (inclusive para mim) estas eleições têm muito pouco interesse e significado, num contexto em que o parlamento europeu, como órgão de soberania europeia, tem na verdade muito pouco poder. Tal não significa, porém, que nos devamos desinteressar completamente.

Os candidatos mais mediáticos são Vital Moreira (PS), Nuno Melo (CDS), Miguel Portas (BE), Idalina Figueiredo (PCP), e Paulo Rangel (PSD). Contudo, existem pelo menos mais 8 candidatos. A lista é a seguinte:

Movimento Esperança Portugal (Laurinda Alves)

Movimento Mérito e Sociedade (Carlos Gomes)

PNR (Humberto Nuno de Oliveira)

PCTP-MRPP (Orlando Alves)

POUS

Partido Humanista (Luís Guerra)

MPT-Movimento Partido da Terra (Pedro Quartin Graça)

PPM (Frederico Duarte Carvalho)

A intenção de realizar um debate entre os 13 candidatos na RTP foi muito boa, porque numa democracia ideal todos os intervenientes, independentemente das máquinas publicitárias ou partidárias que os antecedem, têm o direito de apresentar as suas propostas num plano de igualdade, sejam pequenos ou grandes, mais mediáticos ou menos mediáticos. Contudo, ficou bem patente durante o debate que, na prática, nem todos têm o mesmo direito de antena. Alguns candidatos, como por exemplo o Luís Filipe Guerra do PH, foi quase despachado e pouco pode dizer. É pena, porque conheço o Luís e as ideias do Partido Humanista, e acho que merecia ser ouvido com mais atenção.

Acho que estas eleições podem ser uma boa oportunidade para mudarmos o panorama político nacional. São a antecâmara de umas legislativas, e podem bem ser o princípio de uma nova era da política em Portugal. Precisamos urgentemente de renovação, juventude e esperança, mas tal só é possível se não nos abstivermos e dermos voz a quem ainda não tem grande voz. Proponho que em vez de nos abstermos, saibamos atribuir um voto útil aos pequenos partidos que estão a crescer. Falo do MEP, do MMS, e de outras pequenas forças políticas como o PH. Com um panorama político mais amplo e diversificado, certamente que a política em Portugal ficará mais enriquecida, mais fértil em ideias e propostas, e até em intervenientes. Escusado será dizer que a variedade também potencia um maior número de escolhas, e uma melhor e maior competição entre as diversas forças.

Eu não me vou abster certamente, nem acho que a abstenção seja uma boa opção para nenhum de nós. Se não quisermos escolher, então certamente que outros escolherão por nós.

quarta-feira, maio 13, 2009

Carácter, Símbolos e Felicidade



Um homem tem de crescer mais tarde ou mais cedo. Um homem tem de aprender a afirmar-se, a não se deixar abater pela ignorância e pelo desprezo de quem lhe é muitas vezes alheio e inferior. Tem de ter personalidade, não no sentido de persona (personagem), mas no sentido de uma individuação caracterizada por uma componente de espontaneidade, e outra de responsabilidade e sentido crítico. A isso se chama ter carácter. Um homem com carácter é um homem com espinha dorsal, o oposto da ideia de serpente frequentemente associada ao mal e ao homem sem carácter, precisamente por ser um animal rastejante (logo inferior) e imprevisível no seu serpentear (embora tenha também uma espinha dorsal, apesar de muito mais flexivel). Talvez a maldição que Deus lançou sobre a serpente, a de comer pó e rastejar como ser maldito até ao fim dos tempos, surja precisamente da ideia de que o hábito de rastejar, ou seja, de ser inferior e imprevísivel em termos morais, se torna num puro vício que em nada dignifica a Humanidade e, antes de mais, está na raiz da perdição. É a perversão da centelha divina que ilumina o coração de cada homem, ela mesma símbolo e porta de Deus no mundo. Esta dualidade biblíca, religiosa, e com raízes profundas que derivam dos primórdios da civilização, assenta na noção do conflito sempre presente entre o bem e o mal, uma tensão jamais ultrapassada, um combate permanente no coração de cada homem. Apesar de moldado à imagem do seu Deus, basta uma simples tentação para atirar por terra a face divina do homem e condená-lo para sempre. Cada homem é um campo de batalha, um armagedão entre as forças da luz e as das trevas; cada homem vive o seu próprio juizo final sempre que olha para trás e se confronta com os monstros que ele próprio alimentou conscientemente; cada homem vive o seu pecado original sempre que surje o momento da decisão e, ao invés de fazer jus à divindade que em si habita, se deixa fraquejar. Um homem que fraqueja uma primeira vez está pronto para fraquejar muitas outras vezes. Acaba mais tarde ou mais cedo por acumular fraquezas com a naturalidade de quem colecciona selos ou moedas. Um homem que se habitua a ser fraco, é por natureza um homem condenado ao pessimismo. Deixa de acreditar em si mesmo e, mais grave ainda, deixa de acreditar em toda a Humanidade porque nela projecta a sua própria frustração, confundindo a parte pelo todo, tomando a sua natureza individual pela natureza universal. É por isso que um homem perdido pode perder toda a Humanidade, assim como o contrário também pode ser verdade. Quem se habitua à fraqueza passa a vida inteira à espera do seu redentor pessoal, um messias cujo sangue derramado lhe trará a purificação e lhe dará uma segunda oportunidade que ainda que tal lhe seja concedida, raramente aproveitará. A queda, ou seja, o próprio mal, deriva da fraqueza. Sócrates via na ignorância a mãe de todos os males. Porém, mais condenável do que a ignorância - na maioria das vezes involuntária - é a fraqueza, que deriva do conhecimento pleno da acção que se pratica, e das consequências dela derivadas. Diria que a ignorância é a mãe de todos os males, e a fraqueza é o pai – se é que tal incoerência de género se permite -. Ainda que a mulher derive de uma costela do homem, e com tal ideia se pretende designar a baixeza e inferioridade do feminino, a verdade é outra, totalmente oposta e reveladora. O sagrado feminino é aquilo que completa a incompletude do homem, é o que lhe dá substância e plenamente o aproxima do divino. Por alguma razão, as grandes virtudes são todas designadas no feminino, e dos sete pecados, só seis são femininos; a liberdade, a igualdade, a beleza, a verdade, a bondade, a própria Virtude (em oposição ao Vício designado no masculino); Desde a Vénus neolítica de abundantes seios, à Virgem Maria ou à Maya dos hindus, o sagrado feminino está por todo o lado e é porta priveligiada para o divino e o mistério; as ninfas, as musas (também as havia demónios, é certo); a Graça, essa palavra tão usada e tão significativa; a Terra, ou mãe terra para muitos; o útero sempre foi mais importante e abrangente que o pénis. O pénis penetra, mas só o útero acolhe e alimenta. As pedras neolíticas a que se convencionou chamar de menires, símbolos fálicos que apontam para o Céus, ansiosos por penetrar nos mistérios acolhedores da verdade celeste; contudo, só as mamoas e as antas podem acolher o corpo e devolvê-lo ao pó original. A estrela de David, intersecção entre o triângulo que aponta para cima (fálico e masculino), e o triângulo invertido (símbolo uterino e vaginal); as pirâmides do Egipto, as de Chitchen Itzá ou as de Teohituacan, cujo vértice aponta para o Céu, erectas e profícuas em saber e conhecimento astronómico e celestial. Pode haver melhor alegoria?

Um homem pode viver uma vida inteira alimentando-se apenas de mistérios antigos, de símbolos e de conhecimento milenar, que nunca se fartará, e certamente não tê-la-á vivido em vão. Contudo, o homem forte e com carácter sabe também olhar para o futuro com a mesma sofreguidão e entusiasmo com que olha para o passado. O homem forte e com personalidade confia no futuro, ainda que desdenhe largamente do presente. Porém, o presente contem já em si as sementes de todo o porvir. O homem com coragem, optimista e confiante, reconhece os sinais e aponta caminhos. Já muitas vezes no passado alguns homens olharam a sua contemporaneidade como prenúncio da decadência inevitável do mundo. Nenhuma esperança, divisavam apenas entre a poeira e o nevoeiro criador a destruição e o caos. E muitas vezes o caos e a destruição deram lugar à ordem; civilizações novas renasceram das cinzas como a própria Fénix. Os germéns da renovação residem no caos primordial, os sebastiões e os messias nascem precisamente do caldo das crises, e assim o universo progride, aparentemente com tantos armagedões como recomeços. Não há absolutos verdadeiros, porque verdadeiramente a morte não existe. O fim propriamente dito é apenas a antecâmera de um novo inicio, ainda que o Universo pareça ter vindo de um absoluto nada. A mente de um homem não abarca a linha lógica que torna coerente um paradoxo, não tem poder para se elevar e desapertar o nó górdio dos grandes mistérios, garantindo com isso a conquista do conhecimento supremo. Como o próprio Alexandre, o desejo de glória e o medo da morte compelem-nos a cortar o nó. Conquistar desta forma é condenar a conquista à instabilidade e à destruição precoce. Conquistar verdadeiramente é saber que se pode passar a vida inteira a desapertar o nó, deixando para as gerações futuras a tarefa de continuar o que foi começado. A conquista do conhecimento verdadeiro é um altruismo sincero, talvez um dos únicos que existam de facto. O homem fraco corta o nó; o homem forte desaperta-o.

A rotina destrói e corrói quando condena o homem a ser apenas uma pequena parte do que pode ser. A perspectiva dos dias rotineiros provoca o desânimo e a descrença, sobretudo nos mais insatisfeitos e de mente aberta. A resignação a este estado de coisas é igual ao hábito de ser fraco, conduzindo o indivíduo ao pessimismo e à descrença na espécie humana. Hoje, num mundo de pessoas sem rosto, as relações entre os seres humanos reduzem-se à relação entre coisas. A relação aberta e total entre seres humanos, noutras palavras, a relação verdadeiramente aberta e genuína não é possível num mundo de gente deprimida e oprimida, em que cada um desconfia do vizinho do lado e o colega de trabalho. Não é possível quando as relações entre as pessoas se fazem dos pedaços de cada um, entre especializados e profissionais, entre produtos e produtores, entre mascarados e travestidos. O homem corajoso liberta-se disto, aplica um pontapé raivoso, vindo do estômago já meio ulcerado por muitas desilusões e crispações sem propósito nesta vida baça, semelhante a um quadro de Magritte de rostos, chapéus de coco e objectos tão grandes quanto fúteis. O homem corajoso e forte liberta-se disto, mas não foge. Libertar-se é desapertar o nó da sua própria vida, não é cortar o nó e fugir. Essa é a maior tentação do homem lúcido: fugir! Fugir para longe, tornar-se eremita num amplo convento de paredes grossas, entre claustros silenciosos e frescos. Há quem se torne caminhante, agarre um cajado e percorra vales e serras verdes, num esforço contínuo de comunicar com a inocência original de todas as coisas. O que cansa nos homens é precisamente a mistificação, a perda da inocência original que deriva da entrega verdadeira e quase infantil; o que cansa nos homens é viverem numa espécie de carnaval permanente de máscarados tristes. Paradoxalmente, só quando lhes é pedido para se vestirem e travestirem em dias instituidos de carnavalidade, eles verdadeiramente se revelam. O que cansa nos homens é a falta de futuro – e em mesma medida, de passado, que no fim vai dar ao mesmo – nos seus modos de agir e viver. Nem passado, nem futuro, apenas um presente triste, rotineiro e verdadeiramente cinzento para a maioria dos seres humanos. O homem forte conhece o futuro e o passado, e esforça-se por viver com um passo naquele e outro neste. O homem fraco entrega-se ao presente, polvilhando os seus dias de pequenos sem-sentidos que em nada o enriquecem e elevam. Um presente feito de agoras que derivam de uma sociedade voltada para o : Compre já!, Adquira já!, Procure já!, Conheça já!, Vá já!... Seja feliz já e agora, sem mais delongas, é um dos lemas da modernidade. Não faltam livros para ensinar a arte de ser feliz, receitas elaboradas de cura e de enriquecimento ! Em última análise, tais livros fazem - algumas - pessoas felizes, sobretudo os próprios autores e editores de tais obras miraculosas que se vêem ricos ...

Bens não são felicidade. Adágio, lugar-comum, verdade aceite. A verdade é que ter dinheiro, só por si, não trás felicidade. O que trás felicidade é tudo aquilo que liberte o homem das suas próprias escravidões pessoais, que lhe aponte o caminho e o leve a ser ele mesmo o mais amplamente possível. Possuir bens materiais pode ter o efeito adverso de conduzir precisamente a mais escravidões, nomeadamente tornando um homem ainda mais desconfiado dos outros homens, ou implicando o acentuar de rotinas destruidoras para manter e até dilatar os bens que se possui. Um homem fraco pode enriquecer precisamente para fugir dos outros homens e da rotina, porque em última análise acredita que quanto mais bens possuir, melhor será visto, maior e mais respeitável será o seu estatuto, acedendo à elite e dispondo-se a olhar os outros homens como seres inferiores. Neste caso, ter bens é construir paredes à semelhança dos claustros dos conventos, muralhas que legitimem a sua superioridade -distanciamento - em relação aos comuns mortais. O homem forte e corajoso não se refugia no estatuto que o dinheiro ou os bens lhe possam trazer, o que não o impede de enriquecer ou possuir um império. O homem forte não é escravo do que tem; o homem fraco é o maior servidor do que pensa possuir. Em regra, o homem rico que é fraco torna-se avarento e desconfiado. O próprio Gandhi, um dos homens mais frugais da história da humanidade, dizia que, em si mesma, a riqueza não é um mal, desde que o homem rico não se deixe escravizar pelos seus bens, sendo como uma espécie de rio onde outros homens se alimentam, porque o dinheiro pode ser com um rio, dar vida por onde passa, ou como um lago entrofizado, caso esteja parado e sirva apenas como uma espécie de tesouro pessoal indissociável daquele que o possui, e onde aquele vai buscar a sua legimidade perante os outros homens. A água parada rapidamente se torna venenosa, não leva vida a lado nenhum. É antes morte. Contudo, um homem pode também servir-se inteligentemente dos bens que possui para quebrar o ciclo demolidor dos dias que autofagicamente se devoram, das semanas ocas e do cinzentismo de uma rotina alienadora, espartilhante e capaz de apagar o brilho de um olhar. Pode servir precisamente para cumprir uma vida, para gerar o ócio necessário para se ser um profundo artísta, um profeta, um missionário, um grande empresário capaz de pôr em prática um conceito inovador. Pode ser apenas uma oportunidade para se ser homem. Nesse caso, um homem não quer ser rico pela riqueza em si mesma, mas quer apenas o suficiente para ter uma oportunidade de ser quem nasceu para ser. Não quer ter fortuna, mas os meios para cumprir os seus sonhos nos quais certamente não está o de ser rico. Poucos são, contudo, os que verdadeiramente definiram os seus sonhos de uma forma inteligente e realmente produtiva. Muitos confundem caprichos com sonhos. Não há nenhuma semelhança entre sonhar ser um artista de renome e ter um ferrari. Não há nenhuma semelhança entre cumprir o desígnio de uma vida e obedecer a uma excentricidade vulgar.

terça-feira, maio 12, 2009

Giant Man - a história de um jovem de quem não se esperava grande história

É a história de um rapaz de 25 anos, residente nos EUA, que nasceu sem pernas nem braços. Vale a pena ver o vídeo e perceber o modo como ele cresceu, cumpriu muitos dos seus sonhos, e se tornou uma inspiração para o mundo.

When you think you have no strength to back up, you will find that strength, like i did!

E encontrou mesmo! Vale mesmo a pena ver.

Eis o link
http://www.4marks.com/videos/details.html?video_id=723

sexta-feira, maio 08, 2009

O Mito da Gripe A



Temos sido bombardeados nas últimas semanas com o papão terrivel e inevitável de uma pandemia mundial. A gripe A (que começou por ser Suina até que os porcos finalmente foram redimidos da sua culpa) partiu do México e propagou-se por vinte e tal países. Tudo bem. Até aqui entendo o que se pretende dizer por pandemia. Porém, parece-me que existe aqui uma enorme incongruência, alimentada pelas mais altas instâncias mundiais de saúde, nomeadamente a OMS.

É verdade que houveram já mortos, mas agora a OMS chegou à fantástica conclusão de que, ainda que haja pandemia, será moderada e não causará a extinção da espécie. A minha pergunta é muito simples e directa: se a gripe sazonal mata em média 300 mil pessoas por ano em todo o mundo, qual é alarme em relação à gripe A que, até ver, matou 150 pessoas, e nenhuma na Europa? Porque é que se considera a Gripe A uma pandemia, e não se declara uma pandemia todos os anos sempre que a Gripe Sazonal ataca? Qualquer pessoa que esteja a ler este blog já passou pela experiência da gripe sazonal, e nem por isso ficou alarmada com isso. Nada que um cházinho, muito descanso e benurons não resolvam. Pronto, concedo ao senhores da OMS que a gripe A parece provocar vómitos e diarreias fortes, mas a verdade é que a gripe sazonal é mais mortífera, sobretudo quando atinge crianças e idosos mais vulneráveis. Qual é a novidade, alguém suficientemente versado pode explicar-me?

Posso sempre especular e dizer que esta gripe A é uma bela mistificação, orquestrada pelas mais altas instâncias da saúde pública reféns de outras altas instâncias a trabalhar na obscuridade, nomeadamente a poderosissima indústria farmacêutica... Será a gripe A uma estrondosa campanha de marketing patrocinada pelos grandes laboratórios para que se venda o tal Osertamivir, esse mesmo medicamento que dizem ser o apropriado para esta maleita? Porque pelos vistos, o Tamiflu já não serve...

Vá-se lá saber. Até ver, quem tem ganho com esta pseudo-maleita são os vendedores de máscaras faciais. E, até ver, quem tem perdido mais são os porcos. Que o digam os pobres porcos egípcios que foram chacinados...

sexta-feira, abril 24, 2009

25 de Abril - Ainda está tudo por contar...



Já é pelo menos a terceira vez que escrevo sobre o 25 de Abril neste blog. Todos os ciclos têm esta particularidade de renovar todas as coisas. Um ciclo perfeito, regular, tem o poder de não cansar, fazendo um determinado acontecimento surgir sempre de cara lavada, como a própria Primavera.

Não há dúvida que a História é o juiz mais imparcial de todos os juízes. Isto, é óbvio, quando ela não é escrita pelos vencedores, ou mesmo pelos vencidos. A verdadeira história é escrita sem emoção, fria e racionalmente como um teorema matemático. 35 anos depois, não me parece que a história do 25 de Abril esteja toda ela colocada na devida perspectiva, imparcial e fielmente enquadrada numa estrutura de causa e efeito, de factores e contra-factores. Surge sobretudo baseada no testemunho, que, só por si, não é história, mas apenas e só testemunho. Os jornalistas também testemunham, e nem por isso um artigo de jornal é um pedaço de história. Poderá sê-lo, mas depois de perspectivado e inserido num contexto mais amplo. Cada um conta a sua experiência, como que esforçando-se por não ser esquecido, intimamente desejando que o seu nome se inscreva nas páginas transcendentes de um acontecimento que se tornou intemporal. Todos os grandes acontecimentos se tornam intemporais, desagregram-se da próprio tempo que os gerou fazendo parte de uma espécie de Presente colectivo do qual as sociedades se fazem, e sobre o qual se constroem. A isso se chama Cultura, no sentido mais amplo do termo.

Podemos inclusive afirmar que para o acontecimento específico do 25 de Abril, existem várias histórias possíveis. Existe a história escrita nos anos seguintes, influenciada sobretudo por ideologias de esquerda, as mais oprimidas e subjugadas durante o Estado Novo, que vêem no 25 de Abril uma espécie de Primavera de Praga. Se os comunistas foram os mais perseguidos durante a ditadura, também o foram por toda a Europa, inclusive em países ditos democráticos, inclusive nos EUA, sobretudo porque se vivia num tempo muito particular que nem sempre se tem em conta quando se faz história sobre o Estado Novo. As alas politicamente mais à esquerda viram no 25 de Abril uma oportunidade única para tomarem o poder e implantarem em Portugal um regime comunista. Por outro lado, as alas mais à direita, spinolistas, eanistas, chame-se o que se quiser, foram um contra-poder necessário (mas igualmente perigoso para a democracia). Depois do 25 de Abril, tivemos o Verão Quente e o 25 de Novembro, quando Portugal esteve muito perto de uma guerra fratricida entre as alas extremadas do exército. Temos também a história de uma luta posterior de que pouco se fala, que consistiu em acabar com o poder do MFA e do Conselho da Revolução, devolvendo-o a quem de direito numa democracia saudável e sem ressentimentos, ou seja, aos civis. Cada um puxa a brasa à sua sardinha, escrevendo a história à sua maneira tentando o melhor possível salientar o melhor, e esconder o pior.

O 25 de Abril não foi um ponto de viragem, mas apenas um primeiro passo de algo que ainda está muito longe de terminar. Não sejamos ingénuos em acreditar que tudo o que foi feito o foi com a melhor das intenções, e que os seus protagonistas eram todos homens desinteressados, honestos e idealistas. Pelo contrário. Não tenho dúvidas que o sr Otelo, esse mesmo que vai ser promovido a Coronel e que fez parte das FP25 de Abril, e que afirmou que se «tivesse lido os livros certos seria o Che Guevara da Europa», tinha intenções bem menos altruístas quando elaborou o plano de sublevação contra o governo de Marcelo Caetano. Salva-se talvez Salgueiro Maia, que fez o que tinha de fazer e a seguir se retirou, sem nunca desejar poder ou qualquer outra glória senão a de ter cumprido o seu dever quando o destino o solicitou.

Acredito que os próprios protagonistas do 25 de Abril não estavam à espera de conseguir o que conseguiram. Provavelmente nunca acreditaram que aquele dia ficasse gravado na História da forma que ficou, e que os seus actos, ainda que nem sempre claros ou bem intencionados, conduziriam à democracia pluralista e liberal em que vivemos. Não podemos, é claro, esquecer as muitas lutas e os muitos protagonistas que nos anos seguintes contribuíram para o estado de coisas em que vivemos. Foram muitos e bons, e no fim de contas, o que imperou foi o bom-senso e a moderação. Essa ideia de que somos um povo de brandos costumes tem mesmo uma razão de ser, porque no fim de contas, ainda que extrabuxemos muito e ameacemos mais ainda, acabamos por terminar todos aos abraços, amigos e compadres, ainda que se torça o nariz.

Em última análise, o que está em causa é o valor intemporal da Liberdade.

quarta-feira, abril 08, 2009

Horizonte



Por vezes, na languidez adormecida de um olhar sem objecto, surgem razões e filosofias, vindas de um nada criador, herdeiro do próprio Nada de onde o Tudo veio. Os sinais existem, o mundo é um largo livro de páginas soltas onde podemos ler a Vida, os Segredos e o Mistério. Vi o mar e o céu tocarem-se naquela linha imaginária a que se convencionou chamar de horizonte. Vi-o, lá bem longe, porque o horizonte tem o condão de sempre se afastar, ainda que viajemos à velocidade da luz na tentativa de o alcançar. O horizonte é inatingível como o sonho último, a última fronteira. Lembrei-me de algo curioso. Afinal, o horizonte pode ensinar-nos algo muito simples: viver, é precisamente estar nessa linha imaginária na qual o Céu e a Terra se tocam. Somos o ponto de encontro, o vértice, a aresta onde confluem o Céu e a Terra, o material e o imaterial – há quem lhe chame espiritual -. Nunca poderemos compreender-nos verdadeiramente porque nunca nos poderemos ver de fora, como se fossemos ao mesmo tempo observado e observador. Não podemos ver o horizonte da nossa própria existência, porque verdadeiramente nele estamos inseridos. Sem termos consciência, estamos ligados ao mundo de cima e ao mundo de baixo. Somos o quadrado – 4 elementos – cujos vértices tocam no círculo – infinito -. Somos verdadeiros homens de Vitrúvio ao jeito de Da Vinci; somos verdadeiros herdeiros de todas as grandes cosmogonias do passado, fossem elas mito ou realidade, sonhos, fábulas ou alegorias. Somos ao mesmo tempo filhos do pó da terra, e do pó das estrelas! Na verdade, do pó viemos, e ao pó havemos de voltar, a esse mesmo Pó caótico de cuja massa os mundos são feitos. O corpo anseia pela corporalidade, a mente pela imaterialidade; o corpo é material, e é a materialidade que o atrai; o que podemos chamar aquilo que em nós procura o imaterial? Alguns chamaram-lhe alma, outros espírito. Seja o que for, é aquilo que nos torna verdadeiramente humanos. Talvez nem faça sentido que a questão se coloque em termos de existência ou não existência de Alma. O imaterial e o inextenso existem de facto na medida em que somos herdeiros de ideias, sonhos, ideais, e não apenas de genes e determinismos biológicos. Não se pode conter uma ideia, senão dentro de um livro, ou seja, só as palavras podem conter a imaterialidade da ideia. As palavras são como que portas abertas entre o mundo imaterial e o material. É através delas que o imaterial penetra no material, e por elas modela o mundo à sua própria imagem.

segunda-feira, abril 06, 2009

Lisboa e o prenúncio de um desastre



Um sismo em Itália, imprevisto por um lado (pois a ciência da previsão sismográfica ainda não permite prever matematicamente a ocorrência de um sismo), mas previsível por outro, pois o centro de Itália está precisamente em cima de uma falha tectónica.

É muito difícil prever um sismo. O processo de «previsão» baseia-se em meras probabilidades, sendo bem mais fácil prever que vai chover ou que vai estar sol, do que adivinhar que amanhã a terra vai tremer. Há zonas onde é mais provável ocorrer um sismo, e o melhor que se pode fazer é monitorizar a zona tentando perceber a frequência com que pequenos sismos vão ocorrendo. Porém, ninguém pode, com rigor, afirmar que a energia acumulada nas entranhas da Terra um dia se vai libertar com estrondo, sangue e lágrimas. Como em tudo na vida, o melhor é prevenir.

Em terra de cegos, quem tem olho é rei. Em Portugal continuamos cegos, como se vivêssemos numa espécie de utopia saramaguiana. Lisboa é um barril de pólvora. Quem não percebe isto, não percebe nada de nada. Em 1755, o sismo de Lisboa não só abalou a capital, como teve eco mediático por toda a Europa! Voltaire escreveu abundantemente sobre o terramoto de Lisboa, e os cientistas de hoje afirmam com grande certeza que o sismo atingiu a magnitude de 9 na escala de Richter! Só para se ter uma ideia, o terramoto que provocou o tsunami no sudeste asiático em 2004 foi de 8.5. O epicentro do terramoto de Lisboa, à semelhança do terramoto no sudeste asiático, foi também no mar, a cerca de 200 km a sudoeste de Lisboa. Sabe-se também que, pouco depois do sismo, e para horror daqueles que se refugiaram na zona portuária de Lisboa, uma terrível sequência de vagas de 6 a 10 metros de altura arrasaram o que restava da já fustigada cidade. Sabe-se que a água terá chegado até perto do local onde hoje se situa a Assembleia da República.

Ora, parece-me que a questão que se põe é a seguinte: estão as populações e os agentes políticos de hoje verdadeiramente conscientes do perigo? É óbvio, até para o mais leigo dos leigos em ciências, de que mais tarde ou mais cedo ocorrerá um novo sismo em Lisboa. Se será em proporções tão apocalípticas não se sabe, mas se ocorreu uma vez, certamente que ocorrerá no futuro. A questão é quando, e não se.

Quando penso que a grande maioria dos edifícios de Lisboa datam do tempo do Pombal, e que a construção mais recente, sobretudo nos arredores de Lisboa, se baseia na quantidade, e pouco na qualidade; quando penso que a zona de Lisboa está sobre sedimentos, argilas, ao contrário do Porto que se situa em maciço central granítico; quando penso que milhares de pessoas vivem em caixotes urbanísticos, sem planos de emergência, sem saídas ou entradas suficientemente largas, sem infra-estruturas ou saídas adequadas para as águas (vê-se que basta chover dois ou três dias para ocorrerem logo cheias em certos pontos da cidade); quando me lembro que, por exemplo, aquando da construção do metro no Terreiro do Paço abriu-se um buraco de um dia para outro, sem causa aparente; e, sobretudo, quando penso que o metro de Lisboa, nomeadamente na linha do Terreiro do Paço, se situa abaixo do nível das águas do Tejo, enterrado num solo argilento, sedimentar, pouco estável... quando penso em tudo isto, tremo e não auguro nada de bom. Ora, quanto a isto, quanto à verdadeira prevenção, há algo a ser feito pela câmara, pelo governo, pelo país? Será que se as entidades políticas terão mais ânimo para fazer alguma coisa se souberem que o Terreiro do Paço – ou seja, os ministérios – ainda que sobrevivam ao sismo, serão apagados do mapa pelo maremoto? Está a Lisboa de hoje preparada para o desastre de amanhã? Será que, em vez de equipar a AR com tudo o que há de melhor a nível tecnológico, em vez de distribuir Magalhães ou alargar o ADSL a todas as escolas, não seria mais apropriado criar um plano de emergência a sério, com monitorização constante, ou apostar na construção anti-sísmica em toda e qualquer nova construção lisboeta, acompanhada pela recuperação das mais antigas, sobretudo as que foram construídas logo depois do fatídico ano de 1755?

sexta-feira, abril 03, 2009

Só não ouve quem não quer...



Acredito sinceramente que as instituições bancárias são mais perigosas que qualquer exército regular, e que o princípio de gastar dinheiro que terá de ser pago amanhã, quem sabe se pelas gerações futuras, sob o pretexto do crédito e do financiamento infinito, não é mais do que burlar e hipotecar o futuro de todos nós.

Thomas Jefferson, 3º Presidente dos EUA


Temos por hábito ignorar ou rejeitar como anacrónico aquilo que vem do passado. Achamos que o futuro pode ser risonho, que o amanhã é que é, e depois é que vai ser. Porém, há gente que no passado conseguiu ser bem mais moderna que qualquer modernista dos dias de hoje. Há gente que soube prever o descalabro, e deixou avisos, migalhas ao longo do caminho qual polegarzinho que deixa pedaços de pão para que ele e os seus irmãos não se percam. A crise de hoje, e a bem dizer, qualquer grande crise não é mais do que o cometer dos mesmos erros, ou o fechar dos olhos aos sinais e prenúncios que já não são de hoje.

Thomas Jefferson, nascido em 1743, eleito presidente em 1801, antes de Marx, de Proudhon, de Keynes, do comunismo, do socialismo, de grande parte dos ismos de hoje, lá sabia o que dizia...

A citação é retirada de um pequeno livro de citações intitulado Wit and Wisdom Of The American Presidents. Comprado na fnac por 2,46 euros, ensina mais sobre ciência e filosofia política nas suas sessenta e tal páginas, do que em qualquer tratado que eu conheça sobre o assunto. Até o Bush tem direito a quatro citações, e parece que já foi demais...

quarta-feira, março 25, 2009

Nova Idade Média



Hoje, enquanto via um programa no canal história sobre o éden biblico e a sua possível localização geográfica, tive uma espécie de epifania intelectual: a sociedade em que vivemos está a perder a ligação às suas raizes. Estamos a perder noção do nosso passado, e de quão importante é a conexão com a raiz que nos sustenta, a terra de onde vimos e para onde vamos. O preço desta negligência crescente é um outono eterno, uma cada vez maior perda de vitalidade nas folhas que somos, nos frutos que produzimos, nos ramos de onde derivamos. O preço de tudo isto é um derivar ideológico, intelectual, um amorfismo de pensamento, de crenças, de convicções. O preço de tudo isto é uma nova idade média na qual já entramos, embora ainda não lhe chamemos tal coisa. É uma idade de novos fanatismos, novos obscurantismos, pouco espírito verdadeiramente racional e crítico do mundo e da vida. A moda e o status quo arredam-nos dos centros de decisão política. Não é por acaso que 90 por cento da população simplesmente não se interessa por política, nem lê jornais, nem se informa devidamente sobre nada. A moda e o status quo arredam-nos dos humanismos, das ciências, do pensamento em geral. Não é por acaso que pertencer a uma área científica ou humanista em Portugal é, quase sempre, uma condenação a um fracasso profissional gritante e nada digno. Não é por acaso que se põe a tónica no tecnológico, no aparentemente útil, no tecnicismo.

Não é por acaso que vivemos num tempo em que a imagem, a publicidade, a força da opinião dita pública é dominada pela opinião privada – a opinião da maioria não é mais do que a opinião estrategicamente colocada e vestida pelo marketing -. Não é por acaso que cada vez mais jovens não saibam nada da história universal, ou sequer da história do seu país, ignorância encarada como natural, e com um sorriso condescendente no rosto. As televisões são o reflexo de um pseudo-serviço público, apostado menos em responder às verdadeiras aspirações intelectuais das pessoas, dos jovens, das crianças, do que aos interesses dos seus patrocinadores. Os conteúdos televisivos não formam nem informam; antes desinformam e desformam. Apostam numa rotina de mediocridades, de lugares-comuns, de conteúdos light que não obrigam a pensar muito... E sublinho o papel das televisões porque são o meio mais popular e mais ubíquo em todo o mundo. Ainda que não queiramos, os seus conteúdos entram pelas nossas casas, e, subliminarmente, pelas nossas consciências ou inconsciências adentro. Um estudo com alguns anos demontra que, em média, os europeus vêem 3 a 4 horas de televisão por dia! Ora, feitas as contas, 8 horas são para dormir, 4 para ver televisão (já são 12 horas), mais 8 para trabalhar, e as restantes 4 são para comer, beber, tomar banho, estar no trânsito, etc. Portanto, quanto tempo sobra para o resto? Nenhum. Chamo-lhe a rotina da estupidificação, na qual, infelizmente, estou também incluído até certo ponto. As necessidades materiais, a pobreza crescente, agudizada pela crise internacional (crise que pode ser desculpa para tudo, inclusive para acentuar este status quo a favor de alguns interesses económicos e políticos pouco claros que tudo controlam) vão piorar e agudizar esta rotina da estupidificação. Enquanto se mantiverem as massas ocupadas com a sua própria sobrevivência, certamente que não terão tempo nem paciência para ler Homero ou pensarem sobre questões fundamentais como de onde vimos? ou para onde vamos?. Pois certamente que não. Entretanto é tão mais fácil manipular o dito povo que mais ordena.

terça-feira, março 24, 2009

Earth Hour - A hora em que a terra se apaga



Dia 28, a partir das 20:30, é de esperar que o mundo fique às escuras. Contudo, neste caso específico tal não será negativo, nem se tratará de nenhum ataque terrorista global. O desafio proposto é o de que, durante uma hora, todas as luzes se apaguem, em todas as casas e demais edifícios das cidades.

Em Portugal, a ponte 25 de Abril, o Cristo-Rei bem como outros monumentos nacionais, vão aderir à iniciativa.

Um hora sem fazer uso de energia eléctrica pode parecer simbólico, mas a verdade é que terá de facto um impacto positivo na poupança de energia, e por consequência na diminuição da poluição (em Portugal grande parte da energia eléctrica é produzida em centrais termoeléctricas que utilizam carvão e outros combustíveis fósseis).

Vale sempre a pena.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Dar Voz à Sociedade Civil

Está na hora de todos nós termos uma palavra a dizer na condução dos destinos deste país. Abri um tópico no fórum de ideias no qual coloco a seguinte questão: Quais as medidas mais correctas e adequadas para superar a Crise económica e de mentalidades em Portugal?

Deixe a sua ideia. O fórum é aberto a todos. Basta clicar na pergunta e criar um novo tópico do lado direito.

Posteriormente, enviarei todas essas ideias directamente para o e-mail do gabinete do primeiro-ministro. Pode ser que as leia...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Respondendo à Crise Mundial - e eu não sou economista...




Somos confrontados diariamente com o espectro da crise. Ela parece estar em todo o lado, de todas as maneiras, e a verdade é que está para durar. O desemprego aumenta de dia para dia a uma velocidade exponencial. Fecham empresas, descobrem-se fraudes milionárias na alta finança, e o optimismo dá lugar ao desespero. Nos EUA, Obama está com imensas dificuldades em fazer passar o seu plano de 800 mil milhões de dólares. O que é curioso, é que antes do plano Obama existiu um plano Bush de 700 mil milhões que pouco ou nenhum efeito positivo teve na economia. Ou seja, o ataque à crise tem-se baseado na injecção massiva de dinheiro do Estado na esfera privada, essa mesma que supostamente se regulava a si própria e reclamava menos estado. Parece-me incrível que os grandes economistas, nomeadamente o sr Greenspan, tenham ignorado um princípio fundamental denominado princípio da entropia. Era óbvio que perante a crescente globalização do mercado – e de tudo o que a globalização implica – o epílogo desta caminhada só poderia ser o caos. O princípio da entropia diz que, num qualquer sistema fechado, o aumento da complexidade do sistema conduz, inexoravelmente, ao aumento do caos.

A globalização rege-se por três princípios: o princípio borboleta, o princípio da entropia, e o princípio bola de neve. O princípio borboleta designa que o que se passa num determinado sector da economia de mercado influencia, mais tarde ou mais cedo, todos os outros sectores, inclusive os mais periféricos. O princípio da entropia designa o que já disse no parágrafo anterior, ou seja, quanto maior a complexidade da rede de relações entre um número cada vez maior de agentes económicos, maior o caos e a desordem. Por fim, o princípio da bola de neve. Este princípio é o mais curioso, na medida em que tende a amplificar as intenções latentes ao económico, tornando-as dominantes. Ora, na medida em que aumenta o número de agentes económicos, aumenta também a competitividade. O aumento crescente da competitividade abre caminho a uma inversão de valores. Ou seja, se o impulso inicial da globalização se baseava na responsabilidade, o aumento da competitividade e da ferocidade na luta pelo domínio conduz a uma crescente tolerância à irresponsabilidade, ou seja, e traduzindo em linguagem económica, ao risco. Se o impulso inicial era uma certa contenção e austeridade, o aumento do caos e da competitividade conduz a uma crescente tolerância em relação à ganância. Portanto, a bola de neve consiste na amplificação de impulsos que existiam de forma moderada, mas que, por questões de competividade e de lucro, se tornaram dominantes em relação aos impulsos originais. Isto vê-se, por exemplo, ao nível do trabalho. Podemos dizer que ao longo do séc. XX muitas foram as conquistas ao nível das condições de trabalho. Por exemplo, as 40 horas semanais, as férias pagas, os cuidados de saúde, o subsídio de desemprego, os contratos de trabalho. Ora, na medida em que a economia está globalizada e conta, hoje, com novos actores como a China, a Indía, a Rússia, está-se a abrir caminho à tolerância em relação a condições de trabalho menos vantajosas e, em muitos casos, absolutamente desumanas. Está a dar-se uma inversão de valores, na medida em que o trabalhador também passou a fazer parte do jogo do mercado, ou seja, assim como uma indústria procura obter a sua matéria prima ao preço mais barato do mercado, é também legítimo (segundo as leis do mercado) que esta mesma indústria procure trabalhadores ao preço mais barato do mercado. Isto justifica deslocalizações em massa para países como a China. Ora, perante isto, a China vê-se subitamente catapultado para a cena internacional como incontornável agente económico. E o que acontece de seguida? É forçoso que hajam ajustamentos internacionais (princípio da borboleta) que conduzem a um aumento brutal do desemprego, para que o mercado de trabalho se dilate e contenha agora milhões de pessoas que, perante a inevitabilidade das circunstâncias, se vejam obrigadas a trabalhar sob condições de trabalho mais precárias e com salários muito inferiores a que, em muitas situações, estavam habituadas. Esta crise mais não é do que um brutal e terramótico ajustamente aos novos valores de mercado, como sejam a consagração da irresponsabilidade, da ganância efectiva, e do homem-produto.

Deixo algumas medidas que poderiam ser postas em prática para fazer face à crise.

- Proteccionismo financeiro – todas as grandes fortunas só poderão sair de Portugal com a aprovação do BP.

- Reforço do aparelho produtivo agrícola, com integração de quadros qualificados, bem como de mão de obra indiferenciada. Portugal não pode apenas um país de serviços – Negociação com Bruxelas das cotas impostas

- Perdão de dívidas fiscais até 10 mil euros.

- Nos casos de maior necessidade, em que um determinado agregado familiar se veja em risco de não conseguir pagar a prestação ao banco, o Estado comparticipa pagando os juros associados, ou uma determinada percentagem mais significativa da prestação mensal, durante um período de tempo a combinar com a instituição bancária.

- É preciso facilitar e fomentar mobilidade dentro da UE a nível de empregabilidade. O mercado global determina que haja mobilidade também ao nível do mercado de emprego, e portanto, o estado deve facilitar, seja através de bolsas ou outros tipo de comparticipações, o emprego fora de Portugal, sobretudo para os mais qualificados.

- O emprego electrónico deve ser também fomentado. As empresas devem apostar cada vez mais em emprego não presencial. Deve ser possível que alguém viva em Portugal e trabalhe para uma empresa Belga, sem sair de Portugal.

- Comércio justo. A UE deve esforçar-se por fazer valer os seus valores de trabalho justo e leal. Os países que fomentam o trabalho precário, mal pago, desumano, desrespeitador dos direitos mais elementares do trabalhador, devem ser censurados, os seus produtos boicotados, e as empresas que se deslocam para estes países, multadas.

- A união europeia tem de criar uma política económica que configure uma unidade real, universal, concreta.

- Os prevaricadores e fomentadores da irresponsabilidade financeira e económica devem ser punidos de forma exemplar.

...

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Ano Internacional da Astronomia - Sessão de Abertura na Casa da Música



O ano de 2009 é o Ano Internacional da Astronomia. Ao longo do ano, serão muitas as iniciativas que terão lugar por todo o país. Amanhã, dia 31 de Janeiro, terá lugar na Casa da Música a sessão de abertura oficial do Ano Internacional da Astronomia. O programa consiste na Sessão de Abertura, pelas 16 horas, seguida de uma palestra às 16.30 com o tema O que queremos descobrir sobre o Universo?, dinamizada pela Professora Doutora Teresa Lago. A sinopse da palestra pode ser consultada aqui. A entrada é gratuíta.

Finalizará com um concerto pelas 18 horas, intitulado Uma viagem pelo Sistema Solar, pela Orquestra Nacional do Porto, e pelo Coro de Letras da UP. O bilhete tem o custo de 17 euros.

Pelas 18:30, para quem estiver interessado (e se as condições atmosféricas o permitirem) terá lugar uma sessão de visualização astronómica com telescópios na praça da Casa da Música. Quem quiser pode, inclusive, levar o seu próprio telescópio.

Porque o Universo é tudo.

Para mais informações acerca de outros eventos no âmbito do Ano Internacional da Astronomia, clique aqui.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Prevenir o Cancro - ainda o bicarbonato

Uma leitora a quem eu desde já agradeço, deixou um comentário ao post sobre o Bicarbonato com um link (http://www.theresacatharinacampos.c
om:80/comp2666.htm). Segundo esta leitora, são muitos os tratamentos que estão a surgir, a cada dia que passa, para o tratamento de várias doenças, inclusive o cancro. Trascrevo de seguida o artigo escrito no blog da leitora:

ANTI-CÂNCER - PREVENIR E VENCER USANDO NOSSAS DEFESAS NATURAIS
Dr. David Servan-Schreiber
Aos 31 anos de idade, o Dr. David Servan-Schreiber, um brilhante psiquiatra e pesquisador na área da neurociência, teve o diagnóstico de um tumor no cérebro. Depois de vencer um segundo câncer, através da cirurgia e quimioterapia, perguntou ao seu oncologista quais as precauções de deveria tomar para evitar uma recaída: "não há nada em especial a fazer, siga sua vida normalmente".


A partir daí, fez um extensivo levantamento de estudos científicos e terapias alternativas que resultou num livro com uma proposta prática de prevenção e terapias complementares aos tratamentos convencionais contra o câncer.


A seguir, passamos a listar os pequenos e grandes transformadores de vida, para aumentar as defesas naturais do nosso organismo, proposta pelo Dr. David Servan-Schreiber, através de seu livro: "Anticâncer - Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais":



Proteger-se
Evitar os produtos químicos industriais quando for fácil:

Arejar as roupas depois da lavagem a seco.
Evitar os pesticidas e inseticidas.
Evitar os produtos de limpeza químicos.
Evitar alumínio em contato com a pele.
Evitar os parabenos e os ftalatos nos cosméticos.
Evitar os cremes que contém estrógenos ou hormônios placentários.


Comer
Comer comida orgânica ou Bleu-blanc-coeur*:

Carne, ovos, manteiga, leite, iogurte (preferencialmente orgânicos, mas menos importante para legumes, frutas e cereais).

Reequilibrar a alimentação:

Reduzir o açúcar, as farinhas brancas, as fontes de ômega-6: óleo de girassol, de milho, de soja, de cártamo, margarinas, gorduras hidrogenadas, gorduras animais não orgânicas ou Bleu-blanc-coeur* (carne, ovos, laticínios).
Aumentar as fontes de ômega-3: peixes e crustáceos, produtos animais orgânicos ou Bleu-blanc-coeur*.
Aumentar os alimentos anticâncer: cúrcuma, chá verde, soja, frutas, legumes.

Filtrar a água da torneira:

Com um filtro a carvão ou de osmose invertida ou utilizar água mineral ou de fonte.
Mexer-se

Fazer de 20 a 30 minutos de atividade física diariamente.
Tomar sol 20 minutos por dia quando for possível: produz vitamina D.

Meditar

Praticar um método de autocentragem e tranqüilidade:

Ioga, coerência cardíaca, meditação em plena consciência, qigong, tai chi, etc.
Libertar-se do sentimento de impotência

Resolver os traumas passados.
Aprender a acolher as próprias emoções: inclusive o medo, a tristeza, o desespero, a raiva.
Aprender a deixar as emoções se dissiparem sem se prender a elas.
Encontrar uma pessoa com quem possa compartilhar as emoções.

Extraído do livro: Anticâncer - Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, David Servan-Schreiber, Editora Objetiva

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Bicarbonato e a cura para o cancro - Será possível?




Pode parecer improvável, ou até fruto da imaginação de uma qualquer mente preversa, em busca de fama e riqueza imediata. A verdade, é que um tal de Dr. Simoncini, médico italiano, realizou uma conferência recentemente nos EUA, afirmando ser perfeitamente possível curar o cancro, imaginem, através do comum Bicarbonato de Sódio!

A teoria é simples. Simoncini parte do facto comum de todas as pessoas com cancro terem aftas. Seja qual fôr o tipo de tumor, as aftas surgem sempre como sintoma de que algo pode não está bem. Segundo Simoncini, até agora os médicos consideravam as aftas apenas como uma consequência do cancro. Simoncini propõe uma abordagem diferente: e se for o fungo da mucosa o rastilho para o cancro? Simoncini afirma que o cancro pode ser uma resposta do corpo humano à proliferação dos fungos, ou seja, as células tendem a acelerar o seu ritmo de crescimento para responder à invasão fungica. Neste sentido, o cientista experimentou, em vários contextos, utilizar o mesmo produto que se usa para as aftas, directamente nos tumores. Voilá! Segunde ele afirma, e como aliás está testemunhado por uma série de relatos, a maioria dos tumores tratados com bicarbonato de sódio entraram em remissão! Será mesmo possível? Porque é que uma notícia destas, a ser verdade, não foi ainda divulgada nos média em todo o mundo?

Vale a pena ver o vídeo
CLIQUE AQUI

Visite o site e tire as suas próprias conclusões
http://www.cancerfungus.com/

quarta-feira, dezembro 31, 2008

No ano de 2009, inove!



Não é apenas um trocadilho curioso, mas um desejo sincero. Mudar de ano pode, muitas vezes, significar mudar de vida. Claro que é mais fácil falar que fazer. As grandes preocupações que ocuparão a mente da maioria das pessoas em 2009, serão a de manterem os seus empregos, e pagarem as suas dívidas. Porém, isso não é tudo. Temos de guardar um tempinho, e um espaço no nosso coração para a nossa familia, os nossos filhos, irmãos, mães, netos, amigos, namorados, maridos. Temos de guardar esse espacinho, pois sem eles, não faz sentido lutar por empregos ou qualidade de vida. São eles o nosso motor, a nossa motivação maior, as certezas pelas quais nos sacrificamos diariamente. Sem eles, nada faz sentido. Infelizmente, neste mundo em que vivemos temos de comprar diariamente a liberdade e o bem estar, com o preço de suor e lágrimas. Mas a nossa liberdade não está em ter mais para comprar mais, mas em ter mais para viver mais, com mais qualidade. A ilusão do ter conduziu-nos à crise que hoje vivemos, na qual o crédito mal parado de milhões de euros (e a crescer) teve um papel incontornável. As pessoas querem ter mais e mais, seguir as modas mais recentes, ir aos sítios mais in. Estão dispostos, para tal, a hipotecarem as suas vidas durante anos a fio. Isto porque a nossa sociedade vive uma espécie de paradoxo curioso: por um lado, apelos à responsabilidade e à moderação; por outro, produtos financeiros miraculosos, plafons de crédito intermináveis, apelos ao gasto, ao consumo, à felicidade empacotada. Só que os apelos à responsabilidade não têm empresas de marketing na rectaguarda, nem são suficientemente apelativos e soam a conservadorismo... Deve ser por isso que eu não tenho cartão de crédito (nem terei jamais em tempo algum). Deve ser por isso que eu continuo a achar que é preferível alugar uma casa que estar 30 anos a pagá-la, a juros sempre crescentes. Deve ser por isso que eu tenho um carro em segunda mão, mas pago a pronto. Porque acho que é mais honrado viver de acordo com as possibilidades de que dar um ar de ostentação. Porque, é por isso que a classe média está a desaparecer. Muita gente habituou-se a viver acima das suas possibilidades, confiante num futuro próspero, de contínuo enriquecimento. O futuro desmentiu-o. Mas, eu sou eu. Cada um sabe de si, e Deus sabe de todos. A grande questão, é que Deus somos nós.

Força e coragem para 2009.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Natal sem clichés



Não. Garanto que o texto que se segue não vai reproduzir nenhum dos típicos clichés do Natal. Nesta época, não há ninguém que não tenha a bondade e a compaixão pelos pobres e oprimidos, na ponta da língua. Todos os anos é assim. Multiplicam-se os votos de amor, felicidade, alegria, esperança. O problema está no que vem a seguir. Os dias que sucedem às festas geram uma espécie de alzheimer generalizado, em que na verdade todos esquecem a boa vontade e a compaixão. E esquecem, não só por culpa de cada um, mas também porque a sociedade a isso obriga. A boa vontade é relegada para um segundo plano, quando a prioridade de muita gente começa a ser ajudarem-se a si mesmas, terem emprego, darem de comer aos filhos, assegurarem a sua existência familiar de uma forma digna. A nossa sociedade está a empobrecer. Empobrece porque há cada vez menos dinheiro, menos perspectivas de realização, menos... cultura. Empobrece a partir do momento em que os cidadãos ocupam noventa por cento do seu dia a pensar se para o mês que vem terão dinheiro para pagar a renda ou a prestação da casa, ou até para alimentar os próprios filhos. Empobrece quando as melhores cabeças ficam inaproveitadas em trabalhos sem futuro, gerações inteiras de licenciados atirados para a precariedade e para empregos a termo, vendas, recibos verdes, comissões, exploração, rotinas estupidificantes, atrofiantes, desumanizadas. Empobrece quando um governo dá prioridade ao défice financeiro, sem se aperceber de muitos outros défices bem mais problemáticos e urgentes. Governo? Que governo, quando quem nos governa cada vez mais é Bruxelas? Enfim, passando à frente. A nossa sociedade está a empobrecer todos os santos dias, porque o que é preciso é que todos consumam, é preciso que todos respondam solicitamente ao borbardeamento publicitário que interpela a pseudo-programação televisiva a que se vai assistindo, em zapings sonolentos. É preciso correr atrás do melhor telemóvel, do melhor computador, do melhor carro, da melhor peça para carro, do melhor acessório. E no meio de tudo isto é preciso andar rápido, rapidinho que atrás vem gente. A sociedade está empobrecer, como um balão a esvaziar-se lentamente. A sociedade está a sangrar, devagar devagarinho. Diria que há uma estupidificação crescente, generalizada e aceite. Porque o que importa é que cada um seja «livre»; porque cada um «sabe o que quer».

Já nem sequer falo nos milhares de pessoas que vão passar o Natal ao relento, a tiritar no vão de escada, enquanto um leve cheiro a rabanadas e filhoses lhes chega ao nariz. Já não falo nos doentes, nas crianças do IPO que não têm quem as visite nessa noite, e cuja única companhia são os soros e o pessoal de saúde. Já nem falo no pessoal de saúde, nos bombeiros, na polícia, enfim, em todos aqueles que passam o Natal a trabalhar. Já não falo nas mais variadas formas de opressão que muitos telhados escondem, vidas que nenhum 25 de Abril resgatou...ainda. Já não falo no resto do mundo, porque então nunca mais terminaria este texto. Já nem falo no resto do ano. Porque há por aí muita coragem, dessa coragem verdadeira que muitos poucos conhecem ou sequer ouviram falar. Porque há gente que no Natal não diz coitado, ou tenha esperança, mas age da maneira que sabe e pode para que os coitados sejam menos coitados, e os desesperados menos desesperados. Porque há quem faça. Ponto.

Ao menos no Natal pare, escute e olhe. O ano de 2009 vai ser (mais) difícil, económica e socialmente. Se existe esperança para mudar alguma coisa, ela reside apenas em cada um de nós, na coragem que temos latente. Ela reside na responsabilidade, na inteligência, na força, na entre-ajuda, na liberdade. E isso está tudo cá dentro, estou certo disso.

Feliz 2009

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Debater é no Cenáculo



Criei um fórum ao qual podem ter acesso no scroll lateral para debate de ideias. Aceito sugestões para tópicos a serem discutidos. Vamos lá! Da discussão nasce a luz, e Portugal bem precisa de debate consciente e informado.

Boa sorte.

domingo, dezembro 14, 2008

Homem, princípio e meta - Sá Carneiro acena ao futuro



Ontem, fui dar um passeio pelo jardim da Praça Francisco Sá Carneiro. Um passeio com olhos de ver, entenda-se, não um simples passeio como quem leva o cão a fazer as suas necessidades, sem mais nada em mente do que um vazio monumental. Não estava vazio, mas cheio, como aliás estou quase sempre, sem conseguir dar vazão a todas as ideias e sensações que me atravessam minuto a minuto. Li a placa que diz Praça Francisco Sá Carneiro, e logo recordei o homem que morreu a 4 de Dezembro, e cujo mito se adensa a cada ano, a cada crise política. Em épocas de crise, são os homens maiores que emergem da penumbra, como facho de luz, por vezes sinais de uma esperança abortada em algum momento, símbolos de um porvir desejado. São os grandes homens que surgem no nevoeiro, como promessas. Promessas silenciosas, de pedra, de olhar esfíngico voltado para futuros ansiados, ideais de glória e mudança verdadeira, pontos de luz na trama da história do mundo.

Nesse dia fui até ao centro do jardim, onde dois pilares se erguem, como marcos de delfos no centro do mundo. Num dos pilares há um relevo de um homem que acena para um público inexistente, talvez do passado – quem sabe se do futuro? -. Ao lado, pode ler-se uma inscrição da qual só me lembro de um excerto, ...o homem é o nosso princípio e a nossa meta... Ali, naquele silêncio, aquela inscrição parecia ecoar no espaço, como se estivesse fora do tempo numa espécie de limbo de vozes indistintas, palavras de ordem, sangue a ferver. Sá Carneiro acenava esfingicamente, do alto, e eu repetia para mim “o homem é o nosso princípio e a nossa meta”. Saboreei ali mesmo, sozinho, essas palavras. Tentei penetrar no seu significado mais profundo, nas implicações evocadas por um compromisso tão grande como fazer do homem o nosso princípio e a nossa meta. Pensei se tal seria mesmo possível, se a política não será por vezes precisamente o contrário, fazer do homem meio para outros fins que não o próprio homem; usá-lo individualmente ou em massas indistintas, como carne para canhão, com fins obscuros e maléficos. Pensei na responsabilidade e na coragem que devem ser inerentes a um homem que assuma tal compromisso, a força que deve ter para superar todas as incompreensões, todas as chagas que lhe inflingirão no seu calvário pelo homem. Tentei perceber de que homem estava Sá Carneiro a falar. No homem que vemos na rua, que passa ao nosso lado e a quem não dirigimos palavra, símbolo da nossa total indiferença? Na Humanidade como massa disforme e indiferenciada? Em nós mesmos? Perguntei a mim mesmo até onde Sá Carneiro teria conseguido levar esse seu compromisso. Imaginei como seria este país se ele não tivesse morrido naquela noite de dia 4 de Dezembro. Seria muito diferente? Seria ele hoje um político respeitado, admirado por ter cumprido sem falhas o compromisso assumido desde os primeiros dias do PPD/PSD, e até antes disso? Teria sido sempre honesto, sempre recto e firme nas suas convicções? Acho que não consegui obter resposta para nenhuma das minhas questões. Continuo a achar, porém, que palavra e boas intenções não faltam. O que falta num político é coragem. Não é a coragem das batalhas, do sangue, da morte. É uma coragem bem mais subtil – a de nadar contra a maré, mesmo com o risco constante de afogamento. É a coragem ter como horizonte o Homem, ainda que os homens se unam para nos aniquilar. É a coragem de assumir um risco que se sabe ser maior do que a própria vida, sabendo que a glória será sempre póstuma – se sequer existir glória a haver -. Talvez seja para esse público do futuro, audiência póstuma da sua glória ainda não totalmente compreendida, que acena Sá Carneiro. Talvez seja essa a lição que ele nos quer dar: o homem que assume o compromisso da coisa pública tem de agir para o presente mas, acima de tudo, para um futuro que não conhece e que o ultrapassa largamente, muito para além da poeira e do caos de um presente que parece hostil e difícil.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Pensamentos sem espartilhos...




Nos últimos tempos o tempo não é muito. Estou ocupado com uma tradução, e a disponibilidade é pouca. No entanto, há sempre tempo para pensar e reflectir. Deixo-vos uma pequena reflexão, daquelas de horas vagas, práticamente escritas nas margens de um guardanapo.

Não quero uma vida longa. Quero uma vida cheia, preenchida e feliz. Quero uma vida interventiva, questionadora, solidária. Quero uma vida que sirva para o progresso do mundo, da humanidade em todas as suas dimensões, aberta e sem preconceito. Quero ser homem, quero esculpir-me, quero escrever o romance da minha própria vida. Quero, no fim de tudo, poder olhar para trás com uma felicidade sincera. Se morrer frustrado, que seja por ter falhado o impossível, não por ter falhado o possível. O ideal seria não morrer, ou morrer fulminado e em pé, como as árvores. Morrer fulminado e em pé, em plena acção, em plena vida, não já meio morto. Morrer sem estar à espera, não estar à espera de morrer. Podemos na vida matar o corpo, esfolá-lo e rasgá-lo em pedaços. Podemos debilitá-lo, ensanguentá-lo, desprezá-lo. Podemos tudo isto desde que, no fim, a alma fique intocada, e a ideia fortalecida. E não falo de alma no sentido religioso ou imaterial. A alma humana é muito mais do que isto. É vasta como as mais vastas planícies do mundo, perdendo-se no horizonte que divide o Céu e a Terra. A alma é a Ideia que se propaga, que influencia e persiste para além da vida, do tempo e das eras. A alma é pensamento que vive e se manifesta, cria, recria, sonha e concretiza. A alma de um homem é a memória que o mundo tem dele, o que ele sonhou e concretizou, e tudo o que dele brotou e brota até ao fim dos tempos. O Pensamento move-se e flui, cria-se, recria-se, destrói-se e reconstrói-se, refuta-se e supera-se continuamente, enquanto existir na Terra ser que pense. Terá regras ou será um movimento caótico de cariz imprevisível? Será um movimento linear, ou poderá quebrar as barreiras do tempo e do espaço? Pode, porque o próprio Tempo e o próprio Espaço são Pensamento. Na verdade, nada existe fora do Pensamento, e o mundo mais não é do que a eternidade das almas. O que existe fora do pensamento não pode ser tocado pelo pensamento sem de deixar contaminar por este, assim como não se pode saber a posição do electrão no átomo por não se poder vê-lo ou chegar a ele por meios ópticos ou de outro tipo. O electrão existe como concepção consensual, matemática e física. Nunca foi visto, foi apenas detectado numa placa de chumbo durante uma experiência. Acredita-se estar presente na electricidade, ou ser a própria electricidade, que mais não é que um fluxo que se movimenta continuamente.

(Através da escrita e do pensamento, subo à montanha para respirar um ar mais puro e ouvir o silêncio.)

Ontos é o Ser último. Ser último, que é também ser primeiro. A coisa-em-si kantiana é incognoscível pelo entendimento. Por um lado, se nada se pode dizer acerca da coisa em si, nem vale a pena continuar a reflexão. Se por outro lado, vale a pena dizer algo então, em que modo se pode falar acerca do incognoscível? Se não é cognoscível não é medível, definível e não está sujeito à verificação. Excluindo a prova, sobra apenas a crença. O espaço vazio presta-se à imaginação humana. A coisa em si, face oculta do fenómeno, presta-se à especulação. Não podendo ser alcançada pela lógica, presta-se à i-lógica. Na verdade, esse númeno é um espaço do pensamento, assim como o fenómeno. Fenómeno mais não é do que Pensamento; númeno mais não é do que pensamento aberto à possibilidade.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Sonho Cor-de-Verde da Rita - já ouviu falar?



O meu nome é Rita. Como sou muita fofinha e pequenina todos me tratam por Ritinha. Sou uma menina de cinco anos, natural da cidade do Porto e sofro de paralisia cerebral - não falo, não vejo e não ando.

São estas as palavras que se apresentam aos olhos de quem acede ao site da Rita (Clique Aqui), uma menina muito especial, que há já 5 anos vem travando uma luta difícil mas não impossível contra uma paralisia cerebral. Não é uma causa nova. Há dois anos que a mãe, Maria do Céu Santos, se desdobra em iniciativas junto da comunicação social, das empresas, das bibliotecas, para que esta história não acabe atirada para debaixo do tapete, como tantas outras. A 5 de Maio deste ano, Maria do Céu Santos, em estreita colaboração com Ana Almeida e com o patrocínio de variadíssimas empresas, nomeadamente a produtora de programas Mandala, lançou um livro chamado O Sonho Cor-Verde da Rita. Uma história bonita, cuja principal protagonista é a Ritinha, transportada para um mundo de fadas e sonho. De notar o prefácio de Idália Serrão, Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, e de um segundo texto prefacial escrito por Manuela Eanes, esposa do ex-presidente da República Ramalho Eanes. Conta também com a dedicatória do Presidente da República Cavaco Silva, na contra-capa.

Recentemente, Maria do Céu Santos esteve presente na Praça de Alegria na RTP, onde apresentou o seu projecto cujo objectivo é divulgar e angariar fundos suficientes para comprar uma casa térrea, adaptada às dificuldades motoras da Ritinha, que não vê, não fala, não anda. São inúmeras as individualidades que apoiam este projecto. Poderão verificá-lo clicando no site acima, onde há pelos menos 3 fotos em que a Ritinha está ao colo de Vanessa Fernandes, ou surge rodeada de Tânia Ribas de Oliveira, ou mesmo Susana Félix.

O livro está á venda em todas as grandes livrarias e superfícies, menos na Bertrand e no Jumbo. Podem também encomendá-lo aqui.

Recebi ontem mesmo, da própria mãe da Rita, um convite para colaborar com este projecto. Aceitei com prazer. Colabore também.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Yes We Can, Obama Is Our Friend...




Obama ganhou, confirmando e até superando expectativas. Se a vitória em número de votos não foi assim tão expressiva, em número de delegados foi certamente. Ganhou nos estados mais importantes, e isso é que conta.

O discurso de vitória foi de um esplendor monumental, ombreado apenas por JFK há quase 50 anos.(leia o discurso da vitória)

Num mundo que pede mudança, que pede melhores condições de vida, melhor e mais educação, maior responsabilidade e ética daqueles que detêm cargos públicos ou mesmo privados, menos retórica de confrontação e mais de reconciliação, surge Obama e a sua promessa de mudança, como uma espécie de luz no horizonte. E com isto não quero parecer seguidista ou meramente crente da hipotética «santidade» Obama. Não sou, e tenho noção do que nele é apenas oratória formal e conteúdo concreto. Sei que as dificuldades serão grandes. Os interesses instalados e os grupos de pressão são muitos, e já «acamparam» há muito tempo nas «redondezas» da Casa Branca. E se Obama tem a maioria no Congresso e no Senado (o que lhe dá margem de manobra para ver as suas propostas e acção validadas sem dificuldades), tem por outro lado uma poderosa CIA, ciosa da sua história e demasiado habituada a controlar e a influenciar. Tem por outro lado uma poderosa imprensa, controlado por grandes lobbys, que poderão facilmente elevá-lo ou destruí-lo. Tem o petróleo e os seus tentáculos poderosos, prontos para abortar qualquer mega-projecto ambiental que o exclua do horizonte. Tem um país gigantesco, maior que a velha Europa e até mais diverso em termos étnicos e culturais. Terá muitas vezes (se de facto for essa a sua vontade) de remar contra a corrente. Remar, remar, remar. Se ficar sem barco, terá de nadar, nadar, nadar. E nessa altura, não faltará quem o queira afogar.

Apesar de tudo isto, só a sua vitória dá um sinal poderoso: a força da sociedade civil americana. Foi uma campanha praticamente toda construída pelas pessoas, e pelas suas pequenas contribuições. Deu um sinal à comunidade negra do seu poder, e da força que a partir de agora ninguém pode negar nem retirar.

Abriu um novíssimo capítulo na diplomacia e nas relações internacionais. Todos os grandes líderes de mundo saudaram Obama, e muitos deles com contentamente verdadeiro. Chavez, Raúl Castro, até Almadinejad, vêm subitamente uma oportunidade de diálogo franco e verdadeiro com os EUA, cuja diplomacia tem sido feita de retórica de ameaça e confrontação. Em vez de falar e virar costas, Obama parece querer virar-se de frente e conversar.

E, diz-se, que a mudança é possível. É importante que quem vive na opressão e na miséria, que quem diariamente se vê pisado ou ferido na sua dignidade, saiba que mudar, é mesmo possível. Depende também e sobretudo, de nós. Todos nós.

terça-feira, novembro 04, 2008

Desespero no Congo



Em época de eleições norte-americanas, e na eminência da eleição de um presidente de raizes quenianas, urge repensar o modo como as maiores potências encaram e resolvem os problemas de países como a Républica Democrática do Congo. Talvez com Obama algo posso mudar, e finalmente os EUA assumam de facto uma responsabilidade social para com o oprimido povo africano, nomeadamente deixando de vender armas a grupos rebeldes, e forçando legislação internacional nesse sentido. O vídeo ilustra bem o desespero destas pessoas, espulsas a tiro e coronhada das suas casas e dos campos de refugiados em que viviam desde o conflito de 1998/2003 no Congo. Procuram refúgio, assistência e comida.

domingo, novembro 02, 2008

Genocídio reeditado?




Mais uma vez, urge dar voz a um povo sem voz. África, muito mal curada da crise do Darfur (que parece não ter fim) e da crise no Zimbabwe (fruto da obstinação de um homem que só conhece a linguagem do poder), vê-se de novo a braços com uma situação de profunda calamidade humanitária, na República Democrática do Congo (antigo Zaire). Soa a reedição do que se passou entre 1998 e 2003, conflito que matou directa ou indirectamente 5 milhões de pessoas. Os combates deram-se na província de Kivu-Norte, sobretudo na sua capital Goma. Tudo começou, segundo o jornal Público, depois de uma ofensiva dos rebeldes Tutsis comandados pelos general Nkunda, contra as tropas governamentais do Congo.

Há coisas na vida cuja obviedade quase torna inútil a referência. Segundo David Miliband, MNE inglês, mais de 1,6 milhões de pessoas terão fugido das suas aldeias e dos campos de refugiados em Goma. Aquela zona do Congo é rica em recursos naturais, nomeadamente ouro e diamantes. É certo que este tipo de conflitos étnicos continuam a ser fomentados por potências com os EUA, a Rússia e até China, seja pela venda de armas seja pela desestabilização de governos «incómodos» através de apoios a forças rebeldes. Hoje, África é uma espécie de tabuleiro mundial, em que as várias potências económicas se degladiam para controlar os imensos recursos naturais, assegurando o monopólio da exploração dos mesmos recursos. Talvez fazer cimeiras internacionais, juntar à mesma mesa União Africana e ONU, rebeldes e governos, manter frágeis equilibrios que ao primeiro vislumbre de falta de supervisão exterior se desfazem, não chega. Não chega manter capacetes azuis durante anos nos locais de conflito, nem ONG´s a trabalhar ano após anos de forma assistencialista. Mais do que tudo isto, é preciso que os EUA, a China e a Rússia assumam as suas responsabilidades, deixem de vender armas a países com historial de conflitos étnicos à sombra da «legalidade do mercado livre».

domingo, outubro 26, 2008

W, de Oliver Stone




O filme de Oliver Stone, W, que estreou nos cinemas portugueses a 23 de Outubro, é uma interpretação muito curiosa e paradigmática de uma liderança com boas intenções, mas que perante a ignorância e obtusidade de um líder, termina por fazer mais mal que bem. Josh Brolin é o actor que dá vida à personagem cheia de trejeitos sulistas e rica em gaffes de George W Bush, o ainda presidente dos EUA. Desde a vida boémia aos bastidores truculentos e quase conspirativos de Washington e da sua administração, Stone pinta um retrato de um homem renascido, ex-alcoólico que se virou para Deus, e crente de que este lhe confiou uma missão divina.

De notar a excelente perspectiva dos bastidores que conduziram Bush à guerra no Iraque. Passa a ideia de que Bush junior agiu como filho frustrado, ávido de vontade em provar o seu valor ao pai (George Bush) que sempre o preteriu ao filho Jed, e o epitetou de falhado desde os seus tempos de juventude. Bush junior queria ir mais longe, terminar o que o pai não foi capaz de terminar, decidir onde o seu pai hesitou. Claro que esta predisposição quase freudiana foi terreno fértil para as inevitaveis pressões do poder, protagonizadas pelo seu ambicioso vice-presidente Dick Cheney e por Rumself, homem de acção e pouca profundidade. De notar a constante desinformação por parte dos seus próximos em relação ás hipotéticas armas de destruição, e o constante «passar da batata quente» entre os mesmos responsáveis quando as tais armas de destruição massiça se revelaram um logro. De notar a obtusidade de um homem como Bush, avesso a pensamentos profundos e dado a agir segundo o instinto do momento (guts). A necessidade de instaurar um império capaz de controlar o petróleo mundial, império incompleto sem o dominio absoluto das jazigas de petróleo iraquiano, um quarto de todas reservas de ouro negro do mundo. Plano este revelado por Cheney, e que pelos vistos existia desde os anos 90. De notar a oposição inicial de Colin Powel ao plano de invasão e a sua perspectiva racional, na tentativa de perceber o porquê de tanta pressa em invadir um país soberano sem provas conclusivas e coerentes da ligação de Saddam à Al-Qaeda. Bush acreditava ser o homem certo para «libertar todo o médio oriente». Na sua ignorância (e nisto não estava só) julgava que um Iraque democrata seria exemplo e motivação para todas os povos do médio oriente sedentos de liberdade (teria ele pensado nos palestinianos?), e que a democracia se propagaria como o pólen das flores. Nunca se teve em conta a questão étnica, as divisões latentes fragilmente mantidas á custa do terror de Saddam. Divisões essas responsáveis pelo pântano que é hoje o Iraque. Nunca se teve em conta o erro de usar a violência para acabar com a violência. Curioso também é o papel atribuido a Karl Rove, homem forte e de confiança de W. Bush, desde a sua candidatura a Governador do Texas. Rove foi capaz de, a pedido do próprio Bush, limar as muitas arestas que faltava limar, tentando transformar um homem ignorante do Texas - a quem não só faltava o dom da palavra como se tornava perigoso fazer uso dela – no homem mais poderoso do mundo, mas também no mais solitário.

Goste-se ou não de Bush vale a pena ir ver o filme, sobretudo para que se possa entender melhor como funcionam as tramas politicas que conduzem o mundo, e como é dificil ao homem mais poderoso do planeta conciliar todos os interesses e ser capaz de, sobre pressão, tomar as mais importantes e influentes decisões do mundo. Em época de eleições nos EUA, do filme pode-se perceber pelo menos como não agir, e como é importante que a posição de presidente da nação mais influente do mundo esteja a entregue a alguém de inteligência superior, cultura profunda, responsabilidade e visão abrangente. Neste filme Bush fica menos mal na fotografia que, por exemplo, Dick Cheney. Bem dizia Sócrates: a Ignorância é a mãe de todos os males.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Revolução a 4 de Novembro?




Estamos na prática a 3 semanas das mais disputadas e interessantes eleições do mundo. Dia 4 de Novembro saberemos se o novo inquilino da Casa Branca será o conservador McCain, ou o democrata e liberal Obama.

Como sempre, cada eleição norte-americana é terreno fértil para várias indústrias, sobretudo as do marketing. Movem milhões de dólares, dinheiro que acaba por não ser totalmente desperdiçado na medida em que há muito empregos em jogo – ainda que temporários - e empresas que recebem um novo fôlego.

Para mim, a grande incógnita não está na personalidade do novo presidente. A minha pergunta é se o novo presidente será capaz de ser mais do que um simples relações públicas dos lobbys que verdadeiramente, comandam a potência industrial, militar e política que são os EUA. Saberá o novo presidente bater o pé á CIA, ao FBI, aos lobbys petrolíferos e a quaisquer outras forças poderosas e sombrias, abrigadas nos bastidores? E se conseguir, o que impede que se torne um novo Kennedy cuja(s) bala(s) pôs(eram) fiz ao sonho da mudança? Será forte, ou será um peão? Terá conteúdo, ou será um pacote vazio de propaganda? Haverá de facto condições para uma mudança, ou o status quo é mais poderoso que o ceptro de um presidente?

O que é mais frustrante é que um candidato a presidente não possa (sob pena de perder votos) dizer aquilo que de facto pensa acerca dos assuntos que lhe são apresentados. Quando diz o que pensa, ele toma uma posição. Tomar uma posição é preterir outra, que por vezes vai contra a opinião geral do eleitorado. Os presidentes são-no frequentemente feitos de frases feitas. É assim que ganham eleições. O que são quando presidentes em exercício mostra frequentemente esta realidade.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Marcha Mundial pela Paz - Evento no Porto



No âmbito do Dia Mundial da Não Violência (proclamado a 2 de Outubro, data do nascimento de Mahatma Gandhi), o Centro de Culturas do Movimento Humanista realizou no sábado dia 6, no Porto, um evento particularmente bonito e interessante, que pretendeu divulgar a Marcha Mundial pela Paz e pela Não Violência, projecto a nível mundial organizado pela MSG (Mundo Sem Guerras). A Marcha Mundial pela Paz e pela Não Violência, tem como objectivo que em cada país, as mais variadas organizações ou grupos de cidadãos realizem as mais variadas actividades tendentes a consciencializar as populações e os agentes políticos para três pontos essenciais, vistos como prerrogativas para a Paz. São eles:

- O desaparecimento das armas nucleares, a redução progressiva e proporcional do armamento. A renúncia dos governos à guerra como meio de resolução de conflitos.

- Gerar uma consciência social mundial contrária a todo o tipo de violência (económica, física, psicológica, racial, religiosa, sexual).

- Recuperar o melhor das diversas culturas e povos da Terra.


Ora, como já vem sendo hábito, o Centro de Culturas do Movimento Humanista Português ouviu o apelo. A apresentação da Marcha Mundial teve lugar no Café Guarany pelas 15 horas, apesar de pouco tempo depois a sala se ter mostrado pequena para receber todos os curiosos que se foram juntando. Cerca de 50 pessoas estiveram presentes.
Para culminar, cerca de 50 voluntários prepararam e formaram um cordão humano em 3 pontos diferentes da cidade. Cada um dos voluntários segurava um guarda-chuva com uma letra inscrita, e no conjunto podia ler-se MARCHA MUNDIAL (PELA) PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA 2 OUT 09 - 2 JAN 10.

Ficam três fotos que ilustram bem o que se passou.







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